quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

BALANÇO ... OU SACOLEJO

 

Não temos um balanço a fazer para este ano que termina, pois foram tantas coisas negativas feitas contra as leis e a cidadania que a nossa caixa de Pandora, ao sacoleja-la, explodiu e somente coisas horríveis voaram para fora...  não somnte na Cidaade Velha

De nada serviu, este ano também,  enviar reclamações ao Ministério Público, uma atras da outra contra o desrespeito das leis. A resposta era sempre “Arquivada” ou mandada a outro órgão equivalente que nem parece que recebeu algo, pois nenhum resultado  vimos acontecer do mesmo jeito.

Autorizações abusivas e absurdas continuaram a  serem dadas e quem ganhava com isso não era a nossa cultura, mas era o vendedor de cerveja, sem carteira assinada... e o patrimônio indo as favas, com as leis a tiracolo de quem as ignora. Vimos mais um prédio derrubado hoje, por exemplo.

Ultimamente, as duas satisfações que tivemos, vindas desse deserto de seriedade, foram as que publicamos estes últimos dias. Pena não serem escritas por quem deveria, mas por máquinas.

- https://laboratoriodemocraciaurbana.blogspot.com/2025/12/a-ia-e-eu.html

- https://civviva-cidadevelha-cidadeviva.blogspot.com/2025/12/e-gemini-fecha-o-argumento.html

Não se conta em uma mão as pessoas que aceitaram o convite que fizemos quando criamos o Laboratório de Democracia Urbana.blogspot.com. Ele deveria  servir como ponto de referência para uma cidadania ativa que quisesse apropriar-se do direito de manifestar ideias, preocupações, mal estar e que tivesse vontade de trabalhar em conjunto para encontrar respostas e soluções para os problemas do bairro. Em vez vemos se admirarem quando derrubam algo que estava ali pedindo socorro faz tempo. E são capazes de frequentar eventos rumorosos na área tombada sem notar a trepidação provoccada pelo excesso de decibeis.

.. e paramos aqui sem ter nem coragem de desejar ou esperar algo de bom para 2026 visto que as pessoas são as mesmas que sempre nada fizeram. Sejam elas, políticos ou intelectuais que ousam se considerar... democratas.

Quem sabe  esse novo ano, traz porém, quem dera,  algo ou alguem de novo,  mesmo, mas que seja: sério, coerente e, principalmente DEMOCRATA.



segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

A “I.A.” E EU..


No dia seguinte ao lançamento do meu livro, um amigo pediu noticias a Inteligencia Artificial e ao lêr  a reposta,  admirado, me enviou. Eu tambem fiquei admirada pois algumas informações eu não lembrava de ter escrito, ao menos nestes ultimos dez anos..

Fui pesquisar como chegaram a tais dados e descobri que trabalham com grandes volumes de dados (textos, imagens, números) e usa algoritmos (conjuntos de regras) para encontrar padrões e aprender com eles. Uma vez recebido os dados, os processam e geram uma resposta...e foi isso que recebemos:

"Aqui está o resumo unificado e detalhado da obra "Reminiscências, Testemunhanças… de uma mulher com espírito cabano", de Dulce Rosa de Bacelar Rocque.

Resumo da Obra

O livro é uma autobiografia que entrelaça a trajetória pessoal da autora com a história política do Brasil e da Europa. A narrativa é guiada pelo conceito de "espírito cabano" — uma referência à revolta histórica do Pará — que Dulce utiliza para simbolizar a sua postura permanente de resistência, coragem e profundo amor pela sua terra natal, independentemente de onde estivesse a viver.

A obra divide-se em quatro grandes arcos cronológicos:

1. Raízes: A Belém de Outrora

A primeira parte foca nas memórias afetivas da autora. Dulce narra a sua infância e juventude em Belém do Pará, descrevendo o quotidiano de meados do século XX, as tradições familiares e a vida nos bairros históricos, como a Cidade Velha, e os veraneios no Mosqueiro. Esta base serve para explicar a formação da sua identidade amazónica.

2. O Exílio e a Formação em Moscovo (1969–1971)

Com o endurecimento da Ditadura Militar no Brasil, Dulce parte para o exílio.

 * Choque e Adaptação: A narrativa descreve a transição abrupta do calor dos trópicos para o inverno rigoroso da União Soviética e o choque cultural de viver sob um regime socialista fechado.

 * Vida Académica: Em Moscovo, estudou no Instituto de Ciências Sociais, onde se formou em Economia Política (1971). O livro retrata este período como uma "incubadora intelectual", marcada pela convivência com exilados de todo o mundo, debates ideológicos intensos e solidariedade entre companheiros de luta.

3. Maturidade e Ativismo na Itália (1971–2004)

A fase mais extensa do livro cobre as três décadas vividas na Itália (especialmente na região da Emília-Romanha, em Piacenza e Bolonha), onde Dulce consolidou a sua carreira e militância.

 * Militância Antiditadura: Nos anos 70, atuou vigorosamente na denúncia das violações de direitos humanos no Brasil, criando redes de apoio na Europa.

 * Gestora Pública: Dulce destaca-se por ter construído uma carreira sólida na administração pública italiana. Trabalhou na promoção de produtos italianos (SOPROMER) e, por mais de 20 anos, no governo regional da Emília-Romanha. Foi responsável técnica pela elaboração de leis de comércio e distribuição de combustíveis, chegando a publicar livros técnicos sobre o tema.

 * Embaixadora Cultural: Movida pela saudade ("banzo"), realizou um feito inédito: organizou o primeiro Círio de Nazaré em Bolonha. Este evento simbolizou a união da sua fé e cultura paraense com a sua vida europeia, rendendo-lhe até uma Indulgência Plenária de uma confraria local.

4. O Retorno e a Defesa do Patrimônio (Pós-2005)

A obra conclui com o regresso de Dulce a Belém em 2005. Longe de se reformar, ela redireciona a sua combatividade política para a preservação histórica. Funda a associação CiVViva (Cidade Velha - Ci2gmai.comdade Viva) e lidera movimentos contra a degradação do centro histórico de Belém, fechando o ciclo da narrativa onde começou: na defesa da memória da sua cidade.

Gostaria de saber mais sobre o trabalho específico da CiVViva ou sobre algum outro aspecto do contexto histórico mencionado no livro? "


PS: Se alguem tiver mais noticias da IA a respeito, gostaria de tomar conhecimento, também. Obrigada. (civviva@gmal.com)


                                            FELIZ ANO NOVO A TODOS

quinta-feira, 4 de dezembro de 2025

QUANDO TUDO COMEÇOU...

 

Em março deste ano, para lembrar mais uma vez a data do golpe de 64 e tudo de negativo que proporcionou para os brasileiros, dois professores universitários me convidaram para falar daquele período...

DITADURA CIVIL-MILITAR 40 ANOS DEPOIS

HISTÓRIA, TESTEMUNHO, EXCEÇÃO

Gostei do título pois me considerei logo,  a “exceção”. De fato  nunca vi nada escrito sobre o que faziam os exilados para ajudar a derrubada da ditadura. ... Quem conheceu os problemas dos exilados sem ser um deles? Como se comportavam as embaixadas? Quem ajudava essas pessoas? E quantos continuaram se dedicando a luta, fora do Brasil...

Diferente da maioria dos exilados, eu era cidadã italiana, assim sendo os meus problemas eram bem menores de muitos outros.... mas era mulher, e mãe. Um dia, no século passado,  resolvi escrever sobre a minha vida fora do Brasil, mas quando chegava na hora de falar sobre a Itália eu me blocava.

Vendo os anos passarem e acompanhando alguns retrocessos na situação politica atual, no mundo inteiro, consegui, violentando-me, acabar de escrever o que estava parado há vinte anos...e adoeci... Somatizei  algo, e por uns cinco meses passei os fins de semana no hospital, vomitando. 

Um médico, tendo constatado, depois de vários exames que eu não tinha nada, me mandou para um psicólogo. Me veio então em mente, que na Itália quando tinha algum problema cuja resolução não dependia da minha vontade, me aparecia alguma doença estranha... Uma vez “perdi a pele” que nem cobra, como acontecia  quando pegava muito sol no Mosqueiro e, descascava;  outra vez, fiquei paralitica no escritório e tiveram que me leva para o hospital. E assim  por diante, eu transferia para  o meu  corpo os problemas que a vida me punha... Com a psicóloga, os problemas saíram da minha garganta ...e o livro seguiu para publicação.

Resumindo: a exceção, é falar sobre o “exilio”. Todos preferiríamos estar aqui e comer pato no tucupi, em vez de macarrão, risoto ou ratatouille... Eu olhava a chuva da janela e via que era bem ralinha, diferente dos nossos temporais. Todos os prédios e monumentos que visitava, eram mais velhos do que o Brasil... Tive que aprender a comer sem farinha e esquecer o doce de cupuaçu, o sorvete de bacuri e... o açai com farinha tapioca.

Os dois anos de ausência do Brasil, correspondente aos anos de estudo na Europa, se transformaram em mais de trinta. Sai daqui em 1969 e só voltei em 2004. E foi sobre essa ausência/vivencia, que falei, enquanto  o livro "Reminiscências e Testemunhanças" estava na gráfica. "

https://laboratoriodemocraciaurbana.blogspot.com/2025/03/reminiscencias-testemunhancas.html  "

HOJE   O LIVRO  ESTÁ PRONTO... se me ouvirem  vão poder formar uma opinião e parar de me chamar de “velha chata” e "encrenqueira" porque exijo tanto o respeito das leis... 

Questão de democracia:  ANISTIA, NUNCA... estamos vendo como eles querem tudo de novo.

1979 - festival do L'Unitá a BOLONHA. Primeira foto depois da anistia.

 https://www.instagram.com/p/DHtXi5eumEn/?igsh=cjhpZGd0dHd2ZXE4


 ATÉ DIA 10 DE DEZEMBRO LA NA AV. NAZARE,PROPRIO NO MUSEU DO JUDICIARIO ESTADUAL.

 


domingo, 23 de novembro de 2025

GESTÃO DEMOCRATICA...

 

... PARTICIPAÇÃO DA POPULAÇÃO. 

Sempre tentando exercitar nossos direitos de cidadania, e vendo que as leis são normalmente ignoradas, fizemos um levantamento de alguns artigos que falam da participação da população na gestão democrática  do processo de governar.

A GOVERNANÇA, é entendida como um objetivo para  alcançar metas de forma ética e transparente. Isso deve acontecer  direcionando e monitorando  a gestão de uma organização ou entidade, seja pública ou privada. 

Aqui queremos falar de politica urbana, portanto de ações de órgãos públicos e citaremos algumas leis a respeito.

A Lei federal n. 10257/2001: Estatuto da Cidade regulamenta os arts. 182 e 183 da Constituição Federal, estabelecendo diretrizes gerais para a execução da política urbana.

O seu  objetivo principal é ordenar o pleno desenvolvimento das funções sociais da cidade e da propriedade urbana, com a ajuda da população. Podemos ver isso, observando seu:

 Art. 2o inciso IIgestão democrática por meio da participação da população e de associações representativas dos vários segmentos da comunidade na formulação, execução e acompanhamento de planos, programas e projetos de desenvolvimento urbano;

Mais adiante temos outras previsões nos incisos: 

XII – proteção, preservação e recuperação do meio ambiente natural e construído, do patrimônio cultural, histórico, artístico, paisagístico e arqueológico;

XIII – audiência do Poder Público municipal e da população interessada nos processos de implantação de empreendimentos ou atividades com efeitos potencialmente negativos sobre o meio ambiente natural ou construído, o conforto ou a segurança da população.

A Lei Orgânica do Municipio (30/03/1990) , definindo os direitos dos cidadãos e o funcionamento das políticas públicas, aprofunda assim a questão da gestão democrática ao estabelecer no :

Art. 108> II - estímulo à participação da comunidade através de suas organizações representativas.

Mais adiante no seu :

art.116. VII - promover a participação comunitária no processo de planejamento de desenvolvimento urbano municipal.

Já no art. 228, ao determinar o que constitui o patrimônio cultural do município lembra, mais uma vez que: 

§ 1º. O Poder Público municipal, com a colaboração da comunidade, promoverá e protegerá o patrimônio cultural belenense, por meio de inventários, coleta, registro, catalogação, avaliação, vigilância, tombamento, desapropriação e outras formas de acautelamento e preservação.

Voltando atrás,porém, o seu art. 16 estabelece que: O Poder Público, de ofício ou a requerimento dos interessados e sempre que julgar conveniente, promoverá a realização de audiência pública para prestar informações e esclarecimentos e receber sugestões sobre as políticas, planos, programas, projetos ou legislação de interesse municipal, na forma da lei.

Será que nunca julgam necessário/conveniente falar com os cidadãos? Ou será que o total desconhecimento desse artigo acabe por impedir que  audiências públicas sejam  promovidas de oficio ou  a requerimento, pelo poder legislativo municipal para que cidadãos, especialistas e entidades da sociedade civil possam debater projetos de lei em trâmite ou outros  assuntos de interesse público. 

Tal  ação promoveria um pouco de transparência, e incentivaria a participação cidadã, fortalecendo a democracia ao permitir a troca de opiniões e a coleta de sugestões que subsidiariam as decisões a serem tomadas.

Não é possivel que o carnaval,  como se lê nos jornais, volte a ser na CidadeVelha, sem nenhuma discussão com a CIVVIVA, ao menos; sem algum respeito  pelo nosso patrimonio  histórico nem pelas leis  de salvaguarda da nossa memória histórica. É necessaria a defesa e proteção da área tombada.

Muitos problemas causados por ignorar a participação dos cidadãos, seriam evitados. O Código de Postura voltaria a ter sentido, pois exigiriamos a aplicação dos artigos: 63, 79, 80 , 81 e quem sabe, até do art. 30.


sexta-feira, 21 de novembro de 2025

O QUE FICOU NA NOSSA MEMORIA...???

 

E a COP30 chega ao fim. Vamos esperar que todos os inconvenientes que a mídia (selvagem) colocou em evidencia, não tenham atrapalhado o trabalho do pessoal da ONU e do resto do mundo, que vieram para cá discutir  e tentarem encontrar soluções para os problemas do mundo... não só da Amazonia Internacional.

Somente pessoas superficiais reclamam da presença de tantos índios.. Mas como?  Se vieram  discutir os problemas que, esses guardiões das florestas, seriam os que  vivem de pessoa ... Quem conhece a Amazonia pelos artigos de jornais, não chegam a ter 20% da ideia dos problemas que os indígenas enfrentam.

E quem se lembro de chama-los? Nem o Lucio Flavio Pinto, o jornalista que mais conhece nossos problemas, foi ouvido.

Paralelamente, a presença dos indígenas na nossa realidade foi demonstrada em várias mostras. Admiraveis sua cerâmica, artesanatos, bancos de madeira... e fotografias de suas áreas abusadas por quem tem mais poder. Suas marchas reivindicando seus direitos foram exemplos de luta consciente. Esperamos todos que tenham bons resultados.

O que vimos nas mostras de artesanato, são resultado de uma habilidade que é repetida,  inclusive, ao pintar corpos, também...  Mas, economicamente falando: dá para sobreviver so disso?

Quem não visitou as mostras a respeito dos indigenas, sugerimos o que vimos no Museu Emilio Goeldi.  Terão uma ideia e poderão constatar quantos DIREITOS, ainda estão esperando desse mundo que veio até aqui falar de clima...

Para chamar sua atenção...somente estas fotos, sobre alguns trabalhos deles, que nos ficaram gravados... tudo manual.






















É um outro mundo... onde nem todas as áreas onde vivem,  são  demarcadas.

Eles tem razão de pedir audiência.  Quem veio até aqui, deve ter consciência dessa realidade. De como vivem, ao menos.




segunda-feira, 17 de novembro de 2025

TURISMO PREDATÓRIO...

...fruto de ganancia e ambição.

Isso não acontece somente aqui. Mais de trinta anos atras, Veneza e Atenas tiveram que enfrentar o problema da chegada de "revoadas" de turistas, mais parecendo "formigas de fogo", parecendo querer  destruir as cidades que visitavam. .. Veneza chegou a cobrar ingresso, para quem ia ver o "carnaval de Veneza", criando inclusive, nas ruas da cidade, mão e contramão para os pedestres. As ondas dos barcos, causavam problemas ambientais como a erosão das fundações dos prédios e descaracterizavam a cultura local, inclusive expulsando moradores.

Quem se preocupa, aqui, com os possíveis problemas causados aos "habitantes" dos nossos rios, ao menos?

Nós, não acostumados a ver tanto turista pela rua, decidimos aproveitar a oportunidade para... quem sabe, até enriquecer. Tudo começou bem antes do inicio da COP30 , com os preços exorbitantes das hospedagens, em hotéis ou casas de família. Belém começou a ficar famosa mundo afora, por esse comportamento, por essa corrida ao ganho fácil que piorou depois que o evento começou.

O preço das comidas foi a alavanca seguinte encontrada por alguns jornalistas para continuar a denigrar Belém. O passo consequente foi: como se aproveitam da fome dos turistas? e o salto nos preços das refeições foi demonstrado, em alguns casos.

Cabe lembrar que recentemente entrou em vigor a a Lei nº 14.978/2024, cuja intenção era alavancar o turismo e aumentar os tipos de  prestadores de serviços,  desburocratizando inclusive os investimentos nessa área.  

Não sei se em Belém já foram criadas  as Áreas  Especiais de Interesse Turistico, como previsto  pela recente lei Geral do Turismo, a qual estimula  o envolvimento de populações e comunidades tradicionais no desenvolvimento de um turismo  sustentável. Mas como isso funciona em Belém?

Este fim de semana foi caótico na área do Combú. Embarcações com até 500 pessoas descarregarem esse público em casas de familia, sem alguma condição de recepção, as vezes, nem de 50 pessoas.  

Aconteceu de tudo, até trapiches foram destruídos a causa do tamanho das embarcações. Reclamações também sobre falta de pagamento  por parte dos “atravessadores de turistas” e uma série de outros problemas pela falta, principalmente, de preparo  e seriedade das pessoas que trabalham nesse setor.

O contato com a natureza e a cultura local,  começa de onde partem as lanchas no terminal da Praça Princesa Isabel, em Belém. Quem está ali para ver para onde vão essas embarcações? Será que todas estão regularizadas inclusive com reserva de acolhimento?  Todos os locais tem  trapiche adequados ao recebimento de qualquer tipo de lancha ou navio? Qual o numero máximo de embarcações podem ter acesso a esses furos e igarapés por hora? É prevista uma velocidade máxima para essas embarcações?

No Combú os problemas foram mais sérios, mas Mosqueiro e Outeiro não ficaram fora da área dos problemas. Oficialmente não existe uma praia de nudismo registrada na região amazônica, mas chegaram vozes falando que isso  aconteceu numa praia do Mosqueiro. Em Outeiro, so a presença daqueles navios enormes, ja foi motivo de aglomeração...e as praias, sem infraestrutura adequada viram aumentar o número  de frequentadores. Quem sabe o lixo como é tratado nessas localidades.

Quem está se preocupando com essas praias? Todas elas tem...salvavidas?

Basta pouco para transformar o turismo de massa em turismo predatório. O nosso pode  acabar logo depois da COP30.

A tentativa de tirar proveito de ocasiões, sem levar em consideração os impactos negativos causados pela falta das devidas precauções, pode causar danos irremediaveis podendo levar à degradação ambiental e quem sabe, até a desintegração social. Ainda podemos corrigir isso.

ALGUEM VAI TER  QUE DAR MAIS ATENÇÃO A ESSA CORRIDA  AO... TURISMO DE MASSA.




sábado, 8 de novembro de 2025

COLONIALISMO CULTURAL


Ontem tive a oportunidade de participar de uma reunião da COP30 na UFPa.

Não sei dizer exatamente onde me encontrava, mas era perto da Reitoria.  Na porta da sala, nenhuma indicação, e nem me preocupei pois estava apenas acompanhando uma amiga professora.

Quando eu  entrei na faculdade de Economia da UFPa, ainda não existia  essa área na beira do rio.  Entrei em fevereiro de 1964 e a faculdade se  encontrava em dois prédios na Av. Nazaré, um em frente ao outro, antes do palacete Faciola. O ultimo ano, em vez, o fiz em 1967 na casa onde meu pai tinha morado e morrido em 08.08.1959, na antiga S.Jeronimo. Portanto nenhuma intimidade com a área  que  reuniu os estudantes depois do golpe de 64, num lugar so.

O Conjunto Universitário Pioneiro, situado às margens do Rio Guamá, foi inaugurado em 13 de agosto de 1968... eu já estava trabalhando como economista com os Prof. Wilton Brito e Henrique Osaki.  No ano seguinte, em 1969 fui embora estudar no exterior, assim nem cheguei a conhecer aquela estrutura. Fui vista-la, já no ano  2004,depois de ter voltado a morar aqui e estranhei logo o fato de não ter calçadas...nem alguma indicações dos prédios existentes....e ontem, continuei procurando indicações que não encontrei.

Por isso não  sei o local onde me encontrava nem o que se discutia ali. Numa sala com  capienza  para umas 50 pessoas, no máximo, não chegávamos a ser 30. No fundo da sala passavam um vídeo em inglês...sem tradução. Quando o video acabou continuaram a falar em inglês... Quando tive oportunidade pedi a palavra e perguntei porque naõ tinha tradução. Educadamente uma senhora que imaginei ser a responsável do evento, me explicou que o público tinha decidido o uso do ingles, mas que  tinha uma tradutora a minha disposição.  A moça veio, sentou-se ao meu lado, mas eu declinei a ajuda, e disse que entre as 4 linguas que eu falava, tinha o inglês, também. Falaram por mais uma meia hora e depois interromperam  para fazer uma  merendinha .

Sabemos que a Bacia Amazônica é composta pelo Brasil, Colômbia, Peru, Bolívia, Equador, Venezuela, Guiana e Suriname e juntas essas nações abrigam 60% das florestas tropicais do planeta. Francamente pensei que portugues e espanhol também fossem as linguas oficiais.

Não posso dizer que o colonialismo cultural se apresentou sutuilmente porque o público presente optou pelo uso do ingles e não a do país que hospedava o evento. Para a comunicação global era o ingles a  lingua oficial principal, mesmo se naquela sala  so tinha um estrangeiro, pelo que notei. Afinal de contas o organizador principal dese mega evento era a entidade da ONU ,UNFCCC.

Uma pessoa, la do outro lado do mundo que seguia o vídeo  e que tinha ouvido a minha reclamação disse: se eu estivesse no Brasil ia falar em brasileiro.

O fulano que tinha acabado de falar em inglês, disse que podia até falar em espanhol, mas que deveriam providenciar tradutor, pois seus ouvintes eram franceses... Enquanto isso as pessoas tinham se levantado para  o café e eu pensava no que ouvi... dai pedi meu direito de resposta e disse:  no Pará  nós falamos, português; brasileiro se fala no sul do Brasil... Pra que, as mulheres presente se ofenderam  e o demonstravam ineducadamente. Decidiram que eu tinha ofendido o professor que era o equivalente francês do presidente do IBGE de lá... Maleducada, me chamaram.

Não nego a necessidade de terem salas adequadas a eventos em línguas estrangeiras, mas se vê que a UFPa não estava preparada para tanta procura, o certo é que ali não tinha esse equipamento.  E se aproxima de mim o professor/dirigente frances e me pergunta quais línguas eu falava e respondi: russo e italiano, também. Dai ele me perguntou em russo se eu falava russo... e veio uma mulher e falou uma frase  em italiano...errada, e eu corrigi... O nível estava baixando muito.

Pude apenas constatar que o colonialismo cultural era evidente, de ambos os lados:  compreensivel que a lingua oficial do evento fosse o ingles, mas... e fui embora, admirada do fato  que presenciei e pensando que, se todas aquelas pessoas ali presente, realmente falavam ingles, era ja algo de muito positivo, mesmo se  quem estava comigo não falava.

Me informaram hoje, que propuseram a criação  de uma moeda... ecológica.


                  A foto do evento,  que recebi hoje. Esses eram os ouvintes... Não notei a presença de nenhum indio ou ribeirinho... além de mim e da minha amiga, que moramos  na beira do rio Guamá.