quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

NOSSAS FRUTAS..

Poucos tem a sorte que eu tenho de viver na praça do Carmo, apesar de toda a cafonice que a envolve e contra a qual me esgoelo...no inferno da ignorância.

Entre as coisas boas, temos um senhor que, com seu carro de frutas e verduras, aparece duas vezes por semana e nos traz as frutas ...de estação. Não precisamos ir ao mercado da praia, ao Veropeso da minha avó, pois ele nos trás as novidades até a porta da nossa casa..

O ano acabou com seu carro cheio de pupunhas e mangas e começou com : cupuaçu, abacaxi, banana, tangerina...Agora apareceu com: uxi, bacuri, jaca.  Em um mes todos essas novidades.


                                                  bacuri, jaca e uxi

Essas nossas frutas não encontramos nos supermercados... cheios de morangos, maçãs, peras, ameixas e outras frutas europeias.

Duas coisas que comerciantes e jornalistas, ignoram, ou não tem interesse em lembrar, são: noticias das cidades do Baixo Amazonas e venda de nossas frutas nos supermercados.

 De Oriximiná, Alenquer, Óbidos, etc., não temos nunca notícias. Tomara que isso demonstre que ali não tem desastres, violência, nem assassinato de mulheres, como pras bandas de cá...

Entrando nos supermercados parece até estar na Europa... a parte o tucupi, a farinha de tapioca, uns pedaços de melancia e as bananas, bem pouco do que é nosso  é evidenciado. Maçã, pera, ameixa fresca, uva, roubam o espaço que poderia ser das nossas frutas de estação...

... e ontem o nosso fornecedor apareceu com... bacuri pari.  Cremos que a maior parte de nós nem se lembra mais como é, e muitos nem lembram seu sabor.  Mas, outros sabores, ainda, e cheiros, encontramos la na beira. Em todo canto, porém,  falta o camapú.

             


pupunha     bacuri pari 




etc, etc, etc...




ingá, a  sapotilha, o biribá, a jaca são outras frutas que os supermercados daqui, aqueles paraenses, não evidenciam a existência. Até banana encontramos so de um tipo, aquele que não serve para fazer mingau. A farinha variada/diferenciada, so la na beira do rio.

            








Quem não frequenta o Veropeso, esquece o passar das estações das nossas frutas...e não sabem o que perdem. Nossos netos vão crescer sem conhecer essa nossa diversidade limitando-se a comer frutas dos outros... que são tão sem graça.



terça-feira, 6 de janeiro de 2026

07.01.1835

...  eclodiu a CABANAGEM. 

Na ocasião, a sede governamental da enorme Provincia do Grão Pará, era localizada em Belém do Pará e foi tomada pelos revoltosos ( índios, mestiços, pobres analfabetos e parte da classe media).  Foi então constituido um novo presidente para a Provincia, o militar Félix Clemente Malcher,  mas não durou muito pois se identificava mais com a elite dominante e acabou traindo a revolta. Sucedeu-se um conflito entre as suas tropas e as do outro líder, Eduardo Angelim, que acabou saíndo vitorioso...

Detalhe: DIA DOS REIS era uma grande festividade em Belèm. Onde hoje é o largo das Mercês ocorria uma grande festa de arraial. 

Naquele dia 06.01 là estavam todos os maiores, inclusive o Governador da Provincia, o maçon Lobo de Sousa "O Malhado". E os CABANOS    nos arredores .. .

Sabemos que essa história sangrenta acabou mal para os cabanos: cerca de 30 a 40% da população foi exterminada, incluindo nações indígenas como o murá e o mauê que praticamente desapareceram.

Pois é, José Maria, meu amigo escritor, de Castanhal, nos lembrou desses detalhes e eu passo a vocês para não esquecerem que em janeiro, não temos só o aniversário de Belém para festejar. 

Aliás, o nosso sangue Cabano bem que devia se acordar.  As leis continuam a ser ignoradas assim como a cidadania. Estamos vendo a quantidade de abusos que acontecem. A COP30 não aconteceu pensando em modificar a nossa realidade...  e estamos vendo isso.