quinta-feira, 13 de agosto de 2020

A qualidade da cidade depende da qualidade de seus cidadãos



Valdemiro Gomes nos sugere que...

BELÉM, precisa ser repensada.
Há muito pronto o Belém Futuro Porto, hoje "inaugurado" com Presidente, Governador, Prefeito, ministros e..., continua fechado para os verdadeiros donos, o povo.

"A qualidade da cidade depende da qualidade do cidadão"

Reduto nos 400 anos de Belém
A administração da CDP-Companhia de Docas de Belém anuncia que pretende anexar a av. Marechal Hermes ao cais do Porto e transferir os históricos galpões de ferro para fora do porto visando ampliar a área de estocagem de containeres. Anuncia ainda a CDP que em, contrapartida, voltaria a abrir a ex-rua Belém, transformada inexplicavelmente em depósitos, agora como uma nova avenida, um prolongamento da Pedro Álvares Cabral.

Quem está sendo ouvido? O instituto de arqu
itetos? O CREA- Conselho Regional de Engenharia/Agornomia/Arquitetura? Os moradores do Reduto, onde as ruas estão incluídas? O cidadão belenense? A Câmara de Vereadores? O prefeito de Belém? Desconheço.

Eu, empresário com empresa instalada no Reduto (Lazer&Cia), estou alegre. Certo? Certo e errado. Certo pois a anunciada abertura da ex-rua Belém (sonho que acalento) trará ganho ao patrimônio e valorização do negócio, quando nosso empreendimento ganhará uma nova e importante fachada. 

Errado, como cidadão, amante de Belém, que não pode aceitar a aberração de ver transformar a av. Marechal Hermes, em depósito, em um cemitério de containeres, principalmente quando é sabido que uma grande maioria dos containeres que hoje são estocados no retro-porto de Belém, estão vazios e alguns foram transferidos de outros portos pelas facilidades econômicas que aqui encontram.

Custa-me a acreditar que a proposta propagada possa esquecer os milhões gastos para a construção da Alça Viária, que permitiu a ligação por terra ao porto de Vila Conde (cujo calado é mais de duas vezes o de Belém). Como justificar tal proposta quando a própria CDP promove a ampliação do porto de Vila do Conde e de seu novo terminal de containeres? Não compreendo.


Para facilitar e levar às nossas Autoridades a palavra daqueles que vivem, trabalham, no Reduto, aceitamos liderar um movimento, chamado de Amigos do Reduto, que no futuro poderá tornar-se associação. Hoje, mais de duzentas assinaturas já aderiram ao movimento que busca não somente discutir o futuro do cais e a retirada do mapa da cidade de uma de suas mais importantes avenidas como e especialmente estudar a revitalização do Reduto.


O Reduto, um dos bairros mais antigos de nossa cidade, foi no passado coração da economia paraense. Hoje, encontra-se degradado, esquecido, mas que através de algumas iniciativas privadas já sinalizou que pode acordar, voltar a iluminar-se. É no Reduto que o cais do Porto de Belém foi edificado, a primeira usina de energia de Belém construída (memorizada nos restos de uma bela chaminé), as primeiras fábricas se instalaram (cordas, sacos, sabão, etc.) e onde os primeiros esgotos ( ainda existentes) foram lançados.


Os Amigos do Reduto desejam intermear esforços entre o Município e a iniciativa privada visando coordenar as ações necessárias á elaboração de um projeto que transforme o atual decadente Reduto no mais belo, moderno, bairro de nossa cidade. Queremos brindar os 400 anos de nossa Belém, com a comprovação que é possível sonhar. Sonhar com um novo pacto. Um pacto entre a iniciativa privada e o poder público, para a construção de um novo ideal.


Conclamo a todos os que desejarem se engajar nesta cruzada assinar o livro Amigos do Reduto que pode ser encontrado na recepção da academia da Companhia Athletica, na Municipalidade com Rui Barbosa. Corra, ajude a acender esta nova chama, esta idéia. Sua assinatura é importante, ela é a chama que irá alimentar o movimento, a certeza de que venceremos. Assine, já, nosso livro. Nossa vitória precisa de sua participação.


Publicado em 18.03.2004

sábado, 1 de agosto de 2020

“REVIVAL” DAS CALÇADAS..


...e de tanto asfalto.

Quem chegou a ver o asfalto de algumas ruas, sem valas nem sarjetas, feitos recentemente, com certeza ficou admirado.. como eu. Uma verdadeira indecência e falta de vergonha na cara...de quem fez.


Não é uma novidade para quem mora na Cidade Velha. Aqui já estamos acostumados ao abandono e aos abusos. Por exemplo: tendo os tubos de agua ainda de ferro, já estávamos cansados de ver a Água sair marron das torneiras e termos que mandar lavar a roupa branca por lavadeiras na beira  de algum igarapé. Outros diziam que compravam garrafões de água para lavar a roupa branca. Até que um dia alguém teve a ideia de fazer  um poço no quintal.

O vizinho soube, gostou da ideia e mandou fazer um na sua casa também. Pouco a pouco todos na Cidade Velha estavam sabendo da economia e comodidade que era ter um poço no quintal, que quase todos tomaram essa decisão e o consumo de água fornecida pela  Cosanpa, diminuiu.

Estranho aquela enorme diminuição do consumo de agua próprio durante o verão e, na Cidade Velha. Passado alguns meses e não aumentando o consumo da água, a Cosanpa mandou verificar se tinham colocado “gatos” nos  contadores. Viu que não era esse o problema e começou a indagar até que descobriu... mas não podia fazer nada.

Aliás, fazer algo, bem que podia, mas devia mandar trocar todos os canos pre históricos de ferro, do bairro. Até que trocou alguns, mas não todos, e se acostumou com a diminuição de suas entradas monetárias e saídas de pouca água de seus depósitos.

Paralelamente , com a mudança dos canos da Dr, Assis, aproveitaram para asfaltar a rua. Aí começou outra história. De vez em quando a rua enchia em determinados quarteirões. Era o cano de plástico que quebrava e tinham que quebrar também o asfalto. Corre pra cá, corre pra lá, e chegava a Cosanpa para consertar o cano e uma outra firma, depois de alguns dias, para cobrir o buraco, que ficava como uma protuberancia abusiva no meio da rua.

Começou a ser normal  colocar asfalto em cima daquele precedente, sem se preocupar  de que altura ficava o leito da rua. Insistindo com esse método nos últimos trinta anos, acabaram superando a altura das calçadas da Dr.Assis, na Cidade Velha.

Com as primeiras chuvas, não tendo ninguém se preocupado com valas e bueiros, a água da chuva rolou para as calçadas e destas ...para dentro das lojas.  Resultado: os proprietários endoideceram.
Não deu tempo de enxugar os produtos e choveu de novo e o corre-corre virou um costume que não agradava nem gregos nem troianos. Algo tinha que ser feito rapidamente porque as chuvas iam começar a ser diárias... e fizeram.

Com balde, areia, cimento e mãos as obras, cobriram as pedras de liós que acabavam de ser tombadas... Bastou um começar eu os outros comerciantes da Dr. Assis foram atrás. Nasceu uma escadaria irregular nas calçadas. O pior é que a Dr.Assis é uma descida, assim sendo, mais ela se aproxima da Tamandaré, mais alto fica o degrau. 










Se você descer a Dr.Assis em direção da Tamandaré, vai notar que, casa sim, casa não, tem a calçada realçada, para enfrentar a água da chuva.  
Desse jeito, as calçadas ficaram sendo: umas  de pedra de liós e a outra de cimento... desarmado mesmo... 






E,  nenhuma administração ousou tomar conhecimento e proibir esse abuso!!! essa novidade. O problema era de  novo do cidadão seja para subir que para descer do onibus, em frente a essas valas...e quem usa carrocinha, como faz?


Agora, com a proximidade das eleições e visto que não chovia, resolveram cobrir de asfalto, um monte de ruas que nem precisavam disso...e exageraram. Algumas aumentaram de 20 centimetros, outras se aproximaram a meio metro de altura... e as calçadas foram ficando sempre mais embaixo.
















So quem anda a pé,  nota isso...
Com o Covid 19 nos trancando em casa, não conseguíamos seguir as desgraças que estavam acontecendo na cidade. Mas uma guia turística telefonou e reclamou das calçadas que estavam fazendo no Veropeso. As achava inclinadas verso  a vala...que nem existia... e outras indecências apareciam.

Quando voltar a chover vamos ver desaparecer outro bocado de pedras de liós para desespero do IPHAN, único a defender sua área tombada...com a Civviva. E vamos ter  noticias da guia turística de novo, horrorizada com a altura, em vez, do leito da rua... se e quando os turistas voltarem.

A boca pequena se fala do absurdo que fizeram gastando tanto asfalto e daquele jeito abusivo, enquanto, na verdade  tantos outros  "cidadãos" estavam é  preocupados  em  ir para o Mosqueiro, Salinas ou Cotijuba...as favas Belém, suas calçadas, esses asfaltos e... a falta de saneamento.

Agora, dizer que:  Proteção do patrimônio histórico é

 prioridade em Belém, é um bocado exagerado.




sexta-feira, 31 de julho de 2020

Poluição das motocicletas durante a quarentena


O mes de julho acabou, assim como aquilo que estamos acostumados a chamar de ferias escolasticas em periodo de Pandemia. Tanta gente em casa e, alguns continuaram trabahando, pesquisando e prestando atenção para o que acontece no seu entorno ( este é o meu caso).

Aqui vai uma colaboração válida para quem luta contra a poluição sonora/ambiental.

Os sons das motocicletas em tempos de quarentena 
Antonio Carlos Lobo Soares*

Durante o período de quarentena em casa, devido ao COVID 19, tenho contado os veículos e medido os sons que produzem e chegam ao meu apartamento. Hoje escrevo sobre a contribuição das motocicletas para a composição sonora do ambiente urbano.
Sem dúvida alguma todos reconhecemos a importância que as motocicletas assumiram nesta quarentena, como veículos de prestação de serviços, em especial durante o "lockdown" em Belém (6 a 25.05.2020). Identifiquei muitos mototaxistas, entregadores de gás e de alimentos dentre outros que, no entanto, cometeram infrações difíceis de correção depois da pandemia.

Avançar o sinal vermelho e trafegar na contramão virou um péssimo hábito. Ambas são passíveis de multa de R$293,47 e 7 pontos na CNH. Este valor triplica (R$880,41) quando a motocicleta circula na calçada, o que vi acontecer nos engarrafamentos. Esta mesma pontuação e multa gravíssima são atribuídos aos que invadem a faixa exclusiva de transportes coletivos. As motocicletas que circulam entre os veículos estão sujeitas a multas de R$195,23 e 5 pontos na CNH do proprietário.

Certa vez um amigo me corrigiu dizendo que os que cometem estas infrações não são considerados motociclistas e sim motoqueiros, dissertando em detalhes sobre os comportamentos que distinguem uma categoria da outra. Para ele, os motoqueiros têm os veículos menos potentes, e os utilizam como meio de trabalho. Já os motociclistas dirigem motos mais potentes utilizadas para passeio. Deste seu ponto de vista, contei mais motoqueiros a passar na minha rua do que motociclistas.

Em se tratando de ruído de tráfego, tanto os motociclistas como os motoqueiros se igualam, quando alteram a descarga/escapamento de seus veículos. Na Av. Conselheiro Furtado, às 9h da manhã, circulam em média três motocicletas por minuto, sendo que uma em cada 25 o faz com a descarga livre. Ou seja, está sujeita a multa de R$195,23, cinco pontos na carteira e retenção do veículo. Motocicletas sem silenciador chegam a atingir até 100 dB.

Todas as vezes que percebo uma motocicleta nestas condições, cujo proprietário se sujeita a níveis sonoros altos por períodos prolongados no dia, perco a esperança em nossa civilização: primeiro por saber que este trabalhador terá perdas auditivas irreparáveis; segundo porque o esforço das autoridades não tem sido suficiente para reduzir este problema; e terceiro, por ver o ambiente urbano em que vivemos cada dia com menos qualidade de vida e na contramão do desenvolvimento!
* Arquiteto PhD, Museólogo e Artista Plástico,
Tecnologista Sênior do Museu Goeldi.

quinta-feira, 30 de julho de 2020

AERO CLUB / PARQUE DA CIDADE



Vamos sair da nossa “área de conforto”, para ir para bem longe da Cidade Velha, falar dos projetos em votação para o Parque da Cidade a ser realizado onde temos o Aeroporto  Brigadeiro Protásio de Oliveira


Não tivemos conhecimento de algum ato ou audiencia pública feito para discutir  o uso da área do Aeroclub para outros fins. Se algo  foi feito a respeito, perdemos a ocasião de participar.

Quando o lençol é curto, cobrimos a cabeça e descobrimos os pés... O discurso do Governador Helder em junho do ano passado sobre “ a necessidade de liberação da área para sua integração ao planejamento de crescimento urbano” evidenciava, já, claramente o seu interesse. Me veio em mente quanto dito por ocasião do lançamento do Progeto Belém Porto Futuro. A área portuaria deveria ser reurbanizada e integrada a cidade, e o que aconteceu? Que fim levou?

É o caso de se perguntar: para  que servia esse  aeroporto? Muitos não sabem, mas, cerca de dez empresas de táxi aéreo ligam o terminal a municípios do Pará, bem como a cidades de estados vizinhos. Muitos turistas o usam tendo como principal destino a Ilha do Marajó. Nele, as ambulâncias têm espaço para estacionar e embarcar e desembarcar os pacientes com mais tranquilidade.

O Aeroporto Brigadeiro Protásio fica  no bairro da Sacramenta e abriga  aeronaves de pequeno porte as quais são de particulares e  de empresas de táxi aéreo. Na sua área de cerca 920 mil metros quadrados tem quatro hangares de aviação geral e tem três empresas de manutenção de aeronaves. Além do serviço aeromédico tem o de táxi aéreo, monomotor, bimotor e transporte de valores.

Por outro lado deve-se levar em consideração o fato de  atender a uma grande demanda de serviços relacionados à manutenção geral de aeronaves, além de ser  utilizado como apoio do Aeroporto Val-de-Cans, distante cerca de três quilômetros.

 Porém, segundo o Governador ...”As operações que hoje são feitas ali passariam a ser feitas no próprio Aeroporto Internacional de Val de Cans, também na capital paraense.... mediante algumas intervenções. Inclusive o Estado se disporia a fazer essas intervenções, assim possibilitando a revisão do perfil tanto da área do Protásio quanto do próprio Internacional.”

Afirmou também que “a permanência do aeroclube nas condições atuais não interessam nem sob o aspecto econômico para a Infraero e nem para o planejamento de crescimento da capital... Belém precisa de áreas de convivência, que possam se adequar ao projeto em vista.” Porém, em tempos de Pandemia se vê que Belém, em vez de áreas de convivência, precisa muito mais de outras coisas...

O secretário de Aviação Civil concordou porém na ocasião que “a capital não possui uma demanda que justifique a manutenção de dois aeroportos, ainda mais sendo um tão fisicamente próximo ao outro”..., ao que Helder afirmou que “ o prejuízo do Aeroporto Brigadeiro Protásio é de R$ 2 milhões anuais a Infraero.”

Para  transferir suas atividades para o Aeroporto Internacional de Belém outros dois argumentos foram levantados: "A localização deste aeroporto é em área extremamente nobre, sensível à redefinição urbana da capital", justificou o governador. A outra é que o aeroporto internacional “...em parte do dia está obsoleto e poderia ser enquadrado para absorver essas menos de 20 operações hoje realizadas no Aeroclube".

Com essa afirmação, é lógico que estava decidida a transferência e os projetos resultantes estão a disposição, estes dias,  para serem votados. Os valores desses projetos variam entre 30 e 60 milhões.

No meio tempo, porém, em janeiro deste ano, o Governo do Estado promoveu uma consulta pública  dentro dos eixos Cultura, Esporte e Lazer, Meio Ambiente e Paisagismo de onde resultariam as sugestões para futuras propostas para o Parque.

Um edital foi feito e ao certame se inscreveram mais de 80  escritórios de arquitetura de vários estados. Destes, somente 23 propostas passaram pelo crivo do júri técnico  e duas resultaram oferecer as melhores propostas.

Os Projetos de Arquitetura e Urbanismo do Parque da Cidade estão esperando os votos dos cidadãos paraenses. Para entendimento do processo convém começar pela ata:
- http://parquecidade.com/ata-final-de-julgamento/
- e depois http://parquecidade.com/votacao-final/voto/


Olhem ambas as propostas e votem pensando se este dinheiro não poderia ser melhor utilizado nestes tempos de Pandemia.   


PS: ENTREVISTA E FOTO DA INTERNET.

sábado, 18 de julho de 2020

CONSERVAÇÃO E RESTAURO



Numa das viagens da Dra. Marinella Pigozzi(*) a Belém, ela me presenteou alguns livros, em agradecimento por tê-la acompanhado pela parte histórica da cidade. Entre eles estava “Ricerca umanistica e diagnóstica per il restauro” que ela coordenou.

Nesse livro, vários especialistas refletem, analisam e diagnosticam modos  de trabalho, que, apesar de ser para um caso concreto, é validíssimo aplica-lo ao “geral” contribuindo assim para o conhecimento e a salvação de bens históricos.

Diz ela que “ se uma cidade quer conhecer os próprios bens, tutelá-los, conserva-los e valoriza-los, deve vigia-los para que o patrimônio não venha cancelado ou danificado. Deve monitora-los com continuidade e sistematicamente, sem se permitir de relaxar a vigilância ”.  O que não acontece aqui entre nós. 

No livro em questão a Dra.  Rossana Gabrielli escreveu sobre o seu  “percurso de método” por ocasião de trabalhos de “conservação e  restauro” e fiquei pensando se isso acontece em Belém por ocasião de “trabalhos” em prédios e monumentos históricos, mesmo se não tombados.

Ela assinala a necessidade “Para uma correta salvaguarda do nosso patrimônio artístico, a tutela e o conhecimento dos bens culturais e histórico são atividades fundamentais  e estreitamente correlatas entre si.”

Como tutelar sem conhecer? Esse, de fato, deve ser o primeiro passo de uma série de intervenções necessárias para a conservação dos bens culturais. Quem trabalha com ‘patrimônios’ deve levar em consideração essa necessidade. 

Diz ela que: A análise dos materiais usados nas várias fases da vida de um bem, permitem obter informações seja sobre a vida histórico-arquitetônica, seja sobre o estado de conservação  dos materiais e da obra em geral. Essas analises devem, necessariamente, ser correlatas com o estudo histórico, documentário, arquivistico e artístico, única possibilidade para ter um conhecimento especifico, seja cronológico que estilístico afim de inserir o bem, no mais amplo sistema do nosso patrimônio cultural.

Reconhece ela que o momento mais traumático entre as atividades de conservação de um bem, o  restauro é aquele preponderante.  Nessa ocasião são inevitáveis ações destrutivas, porém,  tendo-se um profundo conhecimento sobre o bem, com as técnicas e o material adequado é possível limitar esse aspecto.

Insiste em dizer que: O conhecimento cientifico da  obra em estudo, se obtém com a interação de várias figuras profissionais  quais : o arquiteto, o restaurador, o histórico, o geólogo, o arqueólogo, o químico, o engenheiro e outras figuras necessárias...segundo o tipo de intervenção em ato...

Ela reconhece como essencial a arqueologia da arquitetura para definir um modus operandi e como coordenação da obra das várias figuras profissionais envolvidas no trabalho de conservação inclusive, da memória nacional.

Com esse sistema se evitaria ver nossos prédios e monumentos mudarem de cor e aspecto toda vez que os restauram, revitalizam e/ou os requalificam .

Certo que os países com uma longuíssima história, tendo acumulado um patrimônio histórico invejável   que atrai turistas e estudiosos do mundo inteiro, não podem se permitir tais modifcações. Paralelamente, de fato,  se desenvolveu pouco a pouco, uma vasta e diversificada especialização em materia de 'antiguidades', seja interna que externamente que dialogam entre si, trocando conhecimentos... e mantendo a memória o mais próximo aquela original.

A Grécia, a  Italia o Egito e poucos outros mais, estão entre os países mais procurados por turistas pela sua antiquissima história e as lembranças que tutelam. Para manter o fluxo de turistas  e as consequentes entradas econômicas necessárias a nação, devem manter em pé seus monumentos e prédios e atualizar continuamente os metodos de defesa desse patrimônio.

No Brasil a incidência do turismo histórico no balanço da nação por ser bem inferior,  não deve, porém,  ser motivo para uma menor atenção na defesa e salvaguarda do nosso patrimônio que vemos se esvair pela falta da devida vigilância e de comprometimento com a memória da nação.


(*)       Titular da cátedra de “ insegnamenti di Storia della critica d’arte e de Museologia” na  Universidade de Bolonha. Seus interesses oscilam entre a história da crítica, a museologia e a história da arte moderna. 



quinta-feira, 16 de julho de 2020

PARA DISCUTIR...


... sobre a demora dos orgãos públicos a tomarem providencias após denuncias, ou simples avisos de abusos com nosso patrimônio histórico.

Nestes dias em que a Pandemia nos obriga a estar em casa e sair so quando é extremamente necessário, tem gente, porém, que não respeitou e continuou “trabalhando”, mesmo se contra os interesses do nosso Patrimônio Histórico.

Num lugar mais civilizado que aqui, já existiria um PORTAL DA TRANSPARÊNCIA, para os atos relativos ao Patrimônio Histórico. Teríamos assim informações que nos são negadas, até quando as pedimos; sobre o que estão fazendo, fizeram ou autorizaram, nos últimos trinta dias.

Por que “trinta dias”? Porque deveria ser  o período de tempo util, para recebermos uma resposta, quando interpelamos um órgão público... O que nem sempre acontece.

Bem raramente acontece, também, que denuncias feitas no teu blog; na tua página do Face; no teu twitter; etc. etc. etc. tenham bom fim. O Ministério Público nos respondeu quando reclamamos que ignoravam nossas mails, que ”deveriam ir protocolar”, se queriamos ser ouvidos.

Francamente isso é um absurdo. Se todos os funcionários tem uma mails identificativa do próprio ente, porque nos devem obrigar a ir fazer fila para protocolar, gastando papel e mais tempo? Essas mails servem so para nos escreverem???

Na Italia, desde 1992, os funcionários públicos tem trinta dias para responder o que recebem por email e isso ainda vai para um setor onde registram o respeito do tempo, o que vai incidir numa gratificação... Assim se o problema denunciado não é de sua competência, ele transmite imediatamente para quem tem o dever de cuidar dele.... e recomeça a contagem dos trinta dias nas mãos desse outro funcionário.

No segundo semestre do ano passado notamos que a casa antiga, situado do lado do ex cinema Guarani, circundada por prédios do MPE, tinha sido derrubada e sido transformada em estacionamento...e começamos a denunciar o fato.  Estavam rodeados de advogados de todos os naipes e de Promotores e Procurados do MPE... até daqueles que cuidam do Patrimonio Histórico. Como é que ninguém viu e reclamou da retirada dos entulhos?


Em novembro de 2019 notamos que tinham embargado algo, mas o estacionamento continuou a funcionar e até colocou um placa enorme... http://laboratoriodemocraciaurbana.blogspot.com/2019/11/falta-de-cidadania.html

  
Estes dias,  descobrimos que alguém, que não devia usar o estacionamento, resolveu tomar providências e, segundo noticias do dia 06/07/2020 “A 2ª Promotoria de Justiça do Meio Ambiente, Patrimônio Cultural, Habitação e Urbanismo de Belém expediu Recomendação à Secretaria de Finanças do Município de Belém (Sefin) para que seja cassada a autorização de funcionamento do estacionamento de veículos, no imóvel situado na Rua João Diogo nº 62, em área tombada pelo patrimônio histórico, no bairro da Cidade Velha.”

A distancia de meses, quase um ano, perguntamos: e o outro embargo, para que serviu???

Como estes dias, também perguntamos: como é que ninguem notou a retirada de entulhos da Perfumaria PHEBO? Despois que só tinham os muros externos da construção, aparece uma denúncia anônima e a Prefeitura  embarga e paralisa a obra “até o seu devido licenciamento”...  

Se esta foto não é um fake temos outra pergunta a fazer: so sobraram alguns muros  externos, é isso que vão evitar que derrubem? Esse ato vai ter alguma sanção?

Na Padre Eutiquio tem outro predio, azulejado, que estão mexendo estes dias. Ano passado ja foi visitado pelo IPHAN. Quem sabe o que estão fazendo agora...


As informações a respeito de ações em prédios históricos, poderiam constar de um PORTAL DA TRANSPARÊNCIA, assim toda a cidadania  estaria avisada se foi ou não um abuso, e ninguem teria motivos para se aborrecer.


sexta-feira, 10 de julho de 2020

Os sons da madrugada em tempos de quarentena


Mais algumas observações do amigo Antonio Carlos, enquanto outros, muitos, aliás, dormem.

Os sons da madrugada em tempos de quarentena 
Antonio Carlos Lobo Soares*

A redução das atividades sociais no período de lockdown (6 a 25.05.2020) nos permitiu experimentar uma Belém mais silenciosa, com menos tráfego rodoviário. Nesta quarentena, integrando um estudo nacional sobre os efeitos da pandemia do COVID 19 no ambiente urbano, dediquei 15 minutos diários para contar os veículos e medir o som que produzem e chega ao meu apartamento. Constatei que de fato houve grande redução sonora e hoje escrevo sobre os efeitos desta redução na madrugada.

Na quadra onde resido, a madrugada é, em tempos normais, dominada pelos sons de bares de esquina. O fechamento destes permitiu perceber vozes na rua e nos apartamentos vizinhos, distantes mais de 70 metros.

Estudos ornitológicos indicam que os passarinhos estão iniciando o seu canto matinal de comunicação e acasalamento cada dia mais cedo, para evitar o ruído do tráfego que impera no ambiente. Por este motivo, fiquei acordado durante toda uma madrugada para checar se isto acontece nesta quarentena.

A experiência de passarinheiro na ótima adolescência na Av. J. Bonifácio me permitiu identificar os cantos do: Sabiá, Bem-te-vi, Cigarrinha do norte, Pipira, Suí, Tem-tem e Putiti-puruí entre os dominantes. O Sabiá iniciou a cantoria às 2h50 seguido pelo Bem-te-vi as 3h43, confirmando as expectativas. Seus sons intercalavam-se com os de um galo, instalado num quintal distante 130m de casa.

Trata-se de um galo especial, porque difunde um som do campo ou, como se diz no Pará, do interior, num raio de 150m no bairro da Cremação. Se o professor Takashi Yoshimura da Universidade de Nagoya não respondeu por que os galos cantam pela manhã, se pra marcar território ou reagir a estímulos, quem sou eu para identificar um padrão em seu comportamento. De todo modo, contei 23 cantorias em 14 minutos!

Na medida em que o sol nascente se aproxima, alguns cães ladram nos quintais e motocicletas buzinam nos cruzamentos, não importando se a população ainda dorme. Cães e motos registraram picos sonoros entre 70 e 80 dB, enquanto a legislação recomenda 50dB. Durma-se com esta discrepância!

Nesta época o sol aparece por volta das seis, hora em que o sino da Igreja dos Capuchinhos anuncia a chegada de um novo dia. Nele seguimos a nossa sina, enquanto passarinhos, cães e galos cantam indiferentes, mascarados pelos sons do tráfego e de máquinas em obras em nossa cidade, porque a vida no ambiente urbano é dinâmica e não pode parar, nem na quarentena.

* Arquiteto PhD, Museólogo e Artista Plástico,
Tecnologista Sênior do Museu Goeldi.