sexta-feira, 8 de maio de 2026

E A CIVVIVA?

 Em novembro de 2006, começamos a ”criar” a Associação do Moradores da Cidade Velha, mas a registramos no cartório somente no dia do aniversário de Belém em 2007.

Esse o  motivo pelo qual começamos a festejar os vinte anos da CIVVIVA antes do tempo... Estamos prepando uma POROROCA CULTURAL, onde várias linguagens artitsticas entrarão em ato.

 Estavamos  grávidas dessa ideia, 20 anos atras... e estas mulheres são as fundadoras que me ajudaram a “parir” a  Associação. Hoje, algumas já são avós e outras...nem podem andar porque a idade aumentou para nós também, trazendo seus ...problemas.          

Antes disso acontecer, porém, demos um passo em direção aos cidadãos: começamos a nossa história com aulas de Tai-chi-chua na Praça do Carmo, por  mérito da disponibilidade do  amigo instrutor Fernando, disposto a vir as 6 horas da manhã... cuidar dos nossos “velhos e velhas”.   

Logo começamos a preparar a Oficina Escola de Escritores, iniciativa, essa, do  Laboratório de Democracia Urbana, e, do Grupo de Memória e Interdisciplinaridade, da Faculdade de Engenharia Civil da UFPA. A oficina seria ministrada pelo jornalista e escritor Oswaldo Coimbra e tinha como objetivo um livro de resgate da memória da Cidade Velha... que foi entregue no aniversário do ano seguinte.










Uma sala cheia de amigos esperavam seus livros devidamente autografados


Um belo dia recebemos a visita do Comandante da PM, Hilton Benigno, para discutir ações concretas para o bairro. Logo após, numa reunião  lá no bairro de Canudos, veio à tona a ideia das bicicletas a serem doadas à PM. Iniciava uma parceria com a PM. Depositamos nossas esperanças quanto a segurança, nas nossas “bicicletas azuis” que viamos nas ruas, montadas por policiais. Logo no primeiro dia um assalto na Dr. Assis demonstrou que a ideia ia dar certo. Essa parceria durou dois anos e acabou ao mudarem os governantes

As nossas forças diminuíam pouco a pouco enquanto seguiamos nossos propósitos, enquanto a  área tombada perdia pedaços de calçada para os postes e atividades que rendem dinheiro... para quem pensa mais em si e  não se interessa muito de salvaguardar nossa memória histórica. E algumas de nós trabalhando de graça, correndo de um Ministério Público a OAB, da Prefeitura até a Semob,  a Seurb  a Secon...

Víamos bem poucos resultados, mas continuávamos pensando que, insistindo, venceríamos... o que nem sempre, ou quase, aconteceu. Porém outras lutas iniciamos... e impedimos o fechamento de mais uma rua na beira do rio na Siqueira Mendes: é o caso   da trav Felix Rocque. Impedimos também o nascimento de um shopping na área incendiada do Bechara Mattar, pois não respeitava os limites impostos com lei e, pior ainda, não tinha área de estacionamento para os clientes. Conseguimos também que a poluição sonora provocada pelo carnaval  com a novidade de seus trios elétricos, fosse desviada para outras áreas, evitando assim ulteriores danos  ao patrimônio público e privado.

Para conscientizar a cidadania e defender as calçadas de liós ocupadas com estacionamento de veículos dos utentes e funcionários dos vários órgãos públicos situados nessa área tombada, criamos uma “Multa Moral"

 
Outra campanha civilizatória em defesa dessa área tombada foi feita com banners   relacionando os problemas, e expostos nas janelas e portas das casas dos moradores e de algumas lojas, que, aliás, financiaram essa ação.









De repente a Câmara de Vereadores, aprovou a lei que Reconhecia de Utilidade Pública para o Município de Belém, a Associação Cidade Velha - Cidade Viva - CIVVIVA LEI Nº 9368 DE 23 DE ABRIL DE 2018,fato esse que nos encheu de satisfação. Notaram a nossa existência.

Com a chegada do carnaval, em 2019, sentimos a necessidade de verificar o nível dos decibeis na área tombada pelo Iphan. Com a ajuda de pessoa preparadas  sobre o argumento, em pouco tempo tívemos o Relatório  de MEDIÇÃO DOS NÍVEIS DE PRESSÃO SONORA DURANTE O PRÉ-CARNAVAL 2019 NO BAIRRO DA CIDADE VELHA – BELÉM/PA. As considerações finais sobre a interferência do evento no ambiente sonoro do bairro da Cidade Velha  serviu para que o carnaval fosse proibido na área tombada, levando em consideração o art. 81 do Código de Postura e, inclusive, os dados do CONAMA que estabelecem 50/55dcb em área mista predominantemente residencial. Demonstrou também o desrespeito das normas em vigor relativamente a atividades que provocam sons e ruídos excessivos, além de abusos por parte dos clientes, com gritaria e algazarras em frente a tais locais. Em tal período vigorava uma lei municipal do ano 2000, que aumentou para 60/70 dcb e que só  foram declarados inconstitucionais em 2023. Como debelar a poluição sonora aumentando os decibéis?

Nossas lutas, porém, não nos  levaram a participar de nenhum dos Conselho do Patrimônio existentes em Belém, nem nunca fomos convidados para participar de alguma “audiência pública”, como preveem as leis em vigor. Resolvemos então envolver mais diretamente o Ministério Público e organizamos um Colóquio Cidadão com alguns órgãos  públicos e professores universitários... Falavam os moradores do bairro, sobre problemas concretos que não se resolviam...e continuaram sem resolução.

Nesses vinte  anos vimos aumentar a distância entre os cidadãos e quem nos governa,  além de  notar a quase total ausência de aplicação das leis em vigor. O permanente aumento da poluição é um exemplo, assim como a falta de uso do Código de Posturas.

Dia 23pv, iniciaremos a Pororoca falando da Cidade Velha... durante uma roda de conversa ... inclusive sobre mulheres. Atémpor lá.

                                    PARA NÓS DA CIVVIVA, 

Cidadania continua sendo  o exercício de direitos e

 a cobrança de deveres de cada um e de todos.