domingo, 16 de fevereiro de 2014

Lembretes para a Administração Pública...


Estes são alguns lembretes sobre o uso de área tombada que deveriam ser levados em consideração por aqueles que tem o dever de defender nosso Patrimonio Histórico, pela Administração Pública principalmente, caso tenha 'vontade politica'.

Vamos falar de patrimônio, levando em consideração  que nessa categoria se encaixam bens móveis, imóveis, edificações, monumentos, bairros, núcleos históricos, áreas naturais, bens imateriais,  etc., etc., etc.

Vamos levar em consideração, também, as palavras "memória" e "história":  lembrando que o sentido primeiro da expressão,  Memória, é a presença do passado e, a História é, por si só, a ciência da memória.

Vamos falar então com pessoas que deveriam se interessar, em algum modo,  para  que esses  bens continuem fazendo parte da  nossa vida, pois uma cidade sem memória equivale a  uma cidade sem história...
...e por mais que seja pequena essa nossa história, seria util, oportuno e respeitoso salvar o que sobrou da nossa memória historica, por exemplo, para que no futuro, nossos netos e bisnetos saibam como vivamos, aonde viviamos, em que condições, e por ai vai.

Isso tudo  porque ontem li a carta da Fumbel com a qual declarava que " o evento" é de interesse para consolidação da expressão cultural do Município de Belém", e nominava cinco blocos para usarem a Praça do Carmo por uma média de 6 horas cada um.
Para nós aquilo não era mais uma 'concentração', mas como escrito, um 'evento' o que é bem diferente, inclusive do que eles pediram.

Agora venhamos a um raciocinio bem terra-a-terra. Na nossa opinião, o problema principal da defesa de um  patrimonio historico é, em primeiro lugar, a vontade politica.  Sem o convencimento da administração pública da necessidade de salvaguardar nossa memória histórica, bem pouco poderá se fazer a respeito

Por que isso? Porque, a partir da Constituição, de Leis federais, estaduais, municipais, dos Códigos civil,  penal e de postura, além de vários decretos, todos falam em algum modo de defesa, salvaguarda, proteção, preservação, conservação e  valorização do Patrimônio Histórico Cultural da nação por parte da Administração Pública. E, se ela não tiver de acordo, a ignora, como vimos acontecer sempre.

Necessário se torna, portanto e também, ter conhecimento dessas leis: não ignora-las, como vemos acontecer por aqui. E lembrar, ao fazê-las, as novas leis,  de providenciar, caso necessário, a regulamentação das mesmas, se não ficam como palavras mortas, coisa que pode acontecer porque interessa a alguem que assim seja.

Outra necessidade e responsabilidade que tem  Administração Pública é a fiscalização do respeito das leis em vigor. De nada adianta 'dar ordens' e não mandar verificar o respeito. A previsão de sanções são o melhor modo de fazer respeitar uma lei. O que aconteceu ontem na Praça do Carmo foi um cruel exemplo de irresponsabilidade e desrespeito seja das leis que dos cidadãos.

O nosso povo, como os nossos políticos e os funcionários públicos, estão acostumados a ignorar as normas em vigor, portanto, é necessário e obrigatória a fiscalização, como, de fato, prevêem as leis.

O desrespeito começa devagar e, como não acontece nada, se torna uma normalidade, um costume. Por exemplo, um fato que precisa ser levado em consideração  é que as leis, em nenhum caso, falam de 'embelezamento' e ' revitalização' do patrimonio histórico.  As palavras usadas são aquelas acima citadas. Portanto, "vidros fumês", por exemplo,  não fazem parte da nossa memória.  Vão salvar a memória ou embelezar  as casas, modernamente, usando vidro fumê?   Para sermos coerentes, ruas asfaltadas também não, mas paralelepipedo ou pedras, sim.  

Sabemos que é dificil, hoje, manter nossa memória histórica perfeitamente intacta, mas não precisar abusar. Ao se falar em salvaguardar, não se está propondo voltar ao chão de terra batida, mas também não ao cimento armado ou o asfalto. No nosso caso tivemos entre eles o paralelepipedo, o qual facilitava a absorção da água, tornando menos quente nosso clima....e ainda estão por ai, embaixo de toneladas de asfalto.

Outro exemplo: se numa determinada rua ou bairro a função principal era dividida entre comércio e habitações, modificar enchendo de restaurantes e bares, ja é um falso, e as leis em vigor não o permitiriam.... os amigos, talvez sim.

As cores a serem usadas, também, devem ser frutos de pesquisa e não da moda do momento. Nenhum centro histórico do mundo teve as casas coloridas como o que vemos ultimamente nas nossas cidades. Nem no Brasil.
Essa moda brasileira de carnavalizar os centros históricos, é fruto de pouca seriedade . É uma decisão que vai contra a memória de quem quer que seja. Nesse caso, outros devem ser os verdadeiros interesses de quem faz tal tipo de uso de cores, mas não certo a defesa de alguma memória. Essa mania de criar cenários (coloridos) que  vemos se  desenvolver nos últimos anos, pouco tem a ver com a verdadeira história.

Salvar a memória ou dar a entender  que em 1900 as casas eram coloridas? Salvar a memória ou passar a ideia que a  Cidade Velha era cheia de bares e restaurantes? Salvar a memória de quem, com esses vidro fumê? Afastando-se tanto da história não estamos salvando nenhuma memória. Trata-se de manipulação.

Outro modo de defender nossa memória é defender o patrimonio de abusos. Transito e rumores são as causas mais evidentes dos estragos que vemos por ai. Aqui, novamente entra em causa a Administração Pública.
Transito: seja de onibus e meios pesantes, que as viaturas de moradores e clientes de lojas e outras atividades, devem ser levados em consideração permanentemente. A necessidade de estacionamentos e garagens são previsões necessárias e obrigatórias, nas leis de programação do territorio, caso contrário, de nada serve continuar tombando. O número de linhas de onibus também deve ser levado em consideração. A proibição da passagem de meios pesados por vias tombadas, estreitas ou não, é outra forma de defesa do patrimonio. Quem está se preocupando com isso? quem verifica se estão respeitando as normas do Código? As carretas com 28 pneus são comuns na Cidade Velha: é possivel isso?

Autorizar atividades em zona histórica sem garagem para os clientes é favorecer a ocupação abusiva das calçadas, que deveriam servir para os pedestre, além de serem de pedras tombadas. As leis de programação devem ter essa previsão, obrigatoriamente.
Autorizar bares e restaurantes para usarem as calçadas é outro abuso cometido pelas administrações públicas. O uso das calçadas deveria custar carissimo, assim se desincentiva esse mau uso de áreas públicas. As calçadas não nascem com esse fim. Por onde devem passar os pedestres, senão? 

Autorizar manifestações em área histórica sem se preocupar com a poluição sonora é outro problema criado pela Administração Pública. A ignorância das normas em vigor por parte dela é evidente que quer dizer pouco interesse pela preservação.  A falta de fiscalização por parte da Administração Publica também demonstra desinteresse pela salvaguarda do Patrimonio.

Não se   implementa a política de proteção e valorização do Patrimônio Histórico Cultural , autorizando 'concentrações  de blocos' que duram de 5 a 7 horas. Se próprio é necessário autorizar, uma hora é mais que suficiente, senão se trata de um evento, e serão necessários muitas outras providências e mais serviços.

Em Belém,  será que a Admnistração Pública sabe o que quer fazer com o Centro Histórico? Por que defendê-lo, preserva-lo, etc. não parece estar nos programas.



sábado, 11 de janeiro de 2014

RECONHECIMENTO "CARLOS ROCQUE"


Para lembrar a data do falecimento de  Carlos Alberto Rocque nascido em Belém em 28 de abril de 1938 e falecido em 10 de janeiro de 2000 e conhecido como “Repórter da História”, criamos um "reconhecimento" com seu nome para evidenciar o 'trabalho' de  cidadãos que, voluntariamente, valorizam a luta em defesa do patrimônio cultural de Belém.

O Laboratório de Democracia Urbana,  ponto de referência da Associação Cidade Velha-Cidade Viva (Civviva) na defesa do patrimônio cultural de Belém, propos o Título "Carlos Rocque", visando o reconhecimento do  esforço cidadão de valorização da nosso patrimônio e identidade cultural.

A homenagem a Carlos Rocque se faz necessária por sua contribuição à história do Pará, sem ter, para tanto, vínculo acadêmico, fato  esse que será levado em consideração na escolha dos futuros agraciados com tal reconhecimento.

A entrega do primeiro reconhecimento seria dia 12 de janeiro, data do aniversário, também, da Civviva, mas o "premio" não chegou em tempo de Portugal, onde foi feito. Serão entregues, possivelmente, na data do seu aniversário em abril.
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Os escolhidos são amigos do Face que, com suas fotos, originais  e atuais, nos mostram uma Belém que as vezes nem notamos que exista. Um homem e um grupo de mulheres-paraensissimas, serão os homenageados....brevemente.

Aqui sua ultima entrevista. http://www.youtube.com/watch?v=gJyQ42e236M


domingo, 22 de dezembro de 2013

Para discussão

Relativamente a proposta de criar um reconhecimento a cidadãos que, voluntariamente, valorizam nossa luta em defesa do patrimônio cultural de Belém, segue abaixo a proposta de edital pra discussão.
Aguardamos propostas.

·         Art. 1. O Laboratório de Democracia Urbana,  ponto de referência da Associação Cidade Velha-Cidade Viva (Civviva) na defesa do patrimônio cultural de Belém, vem propor o Título "Carlos Rocque", visando o reconhecimento do  esforço cidadão de valorização da nosso patrimônio e identidade cultural.
·          § 1º: A homenagem a Carlos Rocque se faz necessária por sua contribuição à história do Pará, sem ter, para tanto, vínculo acadêmico ou institucional.
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·          Art. 2. Durante o ano uma comissão ficará incumbida de acompanhar os trabalhos de conhecimento público que, pessoas físicas fazem gratuitamente e voluntariamente contribuindo assim para o reconhecimento de Belém em seus aspectos culturais, promovendo inclusive as visões críticas e de pertencimento à cidade.
·         § 1º: A outorga do título se fará no dia 12 de janeiro de cada ano, após avaliação por comissão designada pela CiVviva e Laboratório de Democracia Urbana que escolherá o trabalho de um homem e de uma mulher.
§ 2º: Não haverá valor pecuniário associado ao referido reconhecimento.     

sábado, 14 de dezembro de 2013

Acho que vamos criar um premio...



Estou pensando, como Civviva,  em criar um premio, um reconhecimento, para quem ‘lembra’ do nosso patrimônio histórico-cultural.

Lembra? Como?   Fazendo algo pela nossa história, pelo nosso patrimonio, que ninguem lhe pediu; que ninguém o obriga a fazer; que ninguem o paga. O faz por prazer, porque quer, porque gosta de Belém.

Por que isso? Porque notei que, ultimamente, algumas pessoas estão  fazendo um trabalho louvável , relativamente ao nosso ´patrimonio’. Nem todos são acadêmicos , ou pagos para seguirem esse problema. O fazem por prazer, por amor a nossa historia, a nossa  memória.

Isso vem crescendo nestes últimos meses.  Um impulso, com certeza foi o trabalho da Dra. Goretti , que, como uma formiguinha, fez um levantamento da historia arquitetônica da Cidade Velha  e começou a apresentar a paraenses e turistas.  Ensinou a olhar aquilo que ninguém via, e um passou para o outro a noticia, e os olhos se abriram para uma realidade de duas faces: uma boa, a cultural, e uma ruim, o abandono.

A seguir, e sem nenhuma ligação com isso,  a entrada no Facebook de algumas pessoas que não  se  limitam a colocar fotos de cartões postais antigos, aumentou, qualitativamente, o conhecimento do patrimonio histórico de Belém.  É o caso do amigo José Vasconcelos Paiva, com sua coleção de fotos (próprias), com sua curiosidade, com seu conhecimento, nos mostrou outra Cidade Velha, ainda desconhecida a muitos. Mostrando  ângulos e detalhes, conta histórias que não estão escritas, que nos levam a pensar. Desse modo salva uma memória, alias, reconstroe essa memória,  gratuitamente, para todos...e não se limita somente ao bairro aonde mora.

Outra pessoa que merece um reconhecimento, mora em Fortaleza, mas é daqui. Falo de Graça Falangola Gonçalves, cujo amor por Belém a leva, diariamente a postar, fotos de construções novas e antigas, para nos chamar a atenção sobre o que temos, no Gente de Belém. Bom ou ruim que seja o que posta da nossa realidade,  em tres meses conseguiu chamar a atenção de mais de 1600 pessoas interessadas no argumento.

Outros, timidamente, dão seus primeiros passos, lembrando fatos, estorias e histórias não escritas, usando os blogs a disposição... e isso tem que ser apoiado, incentivado, pois so nos faz crescer, conhecendo nosso passado. O José Varella faz isso ha bastante tempo no Face, e agora, seu exemplo tem uns seguidores, ainda bem.

Em Icoaracy nasceu um jornal, que não sai diariamente, mas creio  de 15 em 15 dias, e que está denunciando o abandono das casas antigas da orla. É mais uma ideia que merece apoio e reconhecimento, que faz crescer os cidadãos, que abre os olhos do povo para essa realidade..

O Face, não podemos negar, ajudou e muito  o aparecimento e crescimento desse fenômeno na midia.  Dá possibilidade as pessoas de tirarem das gavetas aquilo que a Academia, muitas vezes esconde, por questões de ‘defesa da propriedade criativa’... Dá possibilidade a divulgação de descobertas feitas por ‘não academicos’ e que servem, também, para formar nossa memória. 

Mais do que um premio, talvez seja melhor dizer que é um reconhecimento de ação cidadã. Involuntariamente estão ajudando o nosso crescimento, e isso deve ser apoiado, louvado, reconhecido.

Acho que vou propor o nome de Carlos Rocque a esse 'reconhecimento', por ter tido seu trabalho  snobado por aqueles que  podiam fazer mais pela cultura do Pará, mas que, não produzindo nada,  preferiram, ignora-lo.



Logo que decidir com os sócios da Associação, avisarei.

terça-feira, 29 de outubro de 2013

PEDIDO DE AUDIÊNCIA PÚBLICA NA ALEPA


Sessão especial sobre a construção do chamado Shopping Bechara Mattar Diamond

Tenho reiterado desta tribuna que a proposta de construção do chamado Shopping Bechara Mattar Diamond, em pleno centro histórico de Belém, merece ser debatida de maneira mais ampla e profunda, envolvendo todos os segmentos sociais envolvidos. A polêmica que o empreendimento tem causado se justifica plenamente, tendo em vista a ameaça de danos irreparáveis a sítios tombados pelo patrimônio histórico nacional – os conjuntos arquitetônicos da Praça Frei Caetano Brandão e do Ver-o-Peso.
No último dia 23 tive oportunidade de participar de audiência sobre o tema promovida pelo Ministério Público Federal (MPF). Lá expressei meu ponto de vista segundo o qual é indispensável que a construção desse empreendimento seja amplamente discutida e que os pareceres dos órgãos competentes tenham caráter técnico abrangente, considerando os impactos de vizinhança, as determinações do Estatuto das Cidades, além dos impactos que a obra causará para o conjunto arquitetônico de nosso centro histórico.
Infelizmente, a ausência de diversos órgãos governamentais no referido encontro criou obstáculos ao livre desenvolvimento do debate com a sociedade civil. Não se justifica que instituições responsáveis pelo licenciamento da obra – como a Secretaria de Estado de Cultura, a Secretaria Municipal de Urbanismo e a Fundação Cultural do Município de Belém – se ausentem do debate, deixando de fornecer informações essenciais à análise do projeto.
Em decorrência disso, recebi comunicado da sociedade civil representada pela Associação Cidade Velha – Cidade Viva, Fórum Belém, Observatório Social de Belém, Movimento Sempre Apinagés e Fórum de Cultura de Belém que demandam a urgente realização, por parte deste Poder, de uma audiência pública para apresentação e discussão técnica do projeto do empreendimento Bechara Mattar Diamond, situado no entorno do sítio histórico e arqueológico de fundação de Belém.
As entidades argumentam que o fato do Estudo de Impacto de Vizinhança não ter sido elaborado e, não tendo a Prefeitura atendido a solicitação datada de 01/10 de entrega dos documentos do processo de licenciamento, com base na Lei Geral de Acesso a Informações Públicas (lei 12.527/2011), torna urgente tal audiência pública.
A falta de tal inciativa preocupa a sociedade, diante das informações prestadas pelo Iphan e pelo Ministério Público Federal, na recente audiência pública na sede do MPF-PA, vez que o procurador da República José Augusto Potiguar abriu inquérito civil a fim de apurar se a legislação foi cumprida quando da concessão da licença pelo Iphan, e já adiantou que a mesma está vencida desde 24 de janeiro de 2012. O empreendedor, portanto, terá que pedir a renovação da licença, e em tal ocasião será oportuno que lhe seja exigida a elaboração de Estudo de Impacto de Vizinhança, além do prévio debate com a sociedade quanto às medidas compensatórias e ações mitigadoras pelos transtornos que causará em área com edificações barrocas protegidas, de inestimável importância arquitetônica, artística, paisagística e cultural para o povo brasileiro.
Neste sentido, nos termos regimentais, REQUEIRO a realização de Sessão Especial, no formato de Audiência Pública, a fim de debater os impactos da eventual construção do chamado Shopping Bechara Mattar Diamond, em pleno centro histórico da capital paraense.
Que para a referida Sessão Especial sejam convidadas as seguintes instituições e entidades: Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Secretaria Municipal de Urbanismo (Seurb), Fundação Cultural do Município de Belém (Fumbel), Secretaria de Estado da Cultura (Secult), Conselho de Arquitetura e Urbanismo (Crea), Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Pará (OAB/PA), Ministério Público do Estado do Pará (MPE/PA), além das entidades da sociedade civil representada pela Associação Cidade Velha – Cidade Viva, Fórum Belém, Observatório Social de Belém, Movimento Sempre Apinagés e Fórum de Cultura de Belém.
Palácio Cabanagem, 29 de outubro de 2013.
Deputado Edmilson Rodrigues
Líder do PSOL

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

ESPERANDO A FESTA DOS 400 ANOS


EXEMPLO PARA BELÉM COPIAR


A Câmara de Lisboa quer que os cerca de 7000 edifícios "em ruína e mau estado"existentes na cidade sejam reabilitados nos próximos 13 anos. Para tal, a autarquia acena com reduções no Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI) a quem cumprir, e ameaça os proprietários faltosos com a venda coerciva dos seus imóveis.

Estas são algumas das medidas previstas na Estratégia de Reabilitação Urbana de Lisboa, para o período entre 2011 e 2024, que ontem foi apresentada em reunião camarária. O vice-presidente Manuel Salgado admite que reabilitar uma média superior a 500 edifícios por ano é "ambicioso", mas acrescenta que é também "perfeitamente realizável".

Manuel Salgado rejeita o recurso a obras coercivas, estratégia que foi seguida durante a presidência de Santana Lopes e que, para a actual maioria camarária, foi "um equívoco". "Foi verdadeiramente ruinoso", sintetiza o actual vice-presidente, que defende que "a câmara não se pode substituir aos proprietários privados".

Para garantir que esses privados cumpram o dever de fazer obras de conservação de oito em oito anos, Manuel Salgado quer tornar obrigatória a inspecção técnica aos edifícios e fazer depender desse certificado a atribuição de apoios, como seja uma redução no IMI. A intenção do vereador é aplicar esta medida de forma gradual até 2016 e tornar públicos os ficheiros respectivos, para que potenciais compradores e inquilinos saibam com o que podem contar. Quem não cumprir, poderá ser alvo de uma venda forçada do património.

Na reunião camarária de ontem ficou também a saber-se que a Câmara de Lisboa quer alargar a acção da Sociedade de Reabilitação Urbana (SRU) Lisboa Ocidental, para que esta possa assumir a "reabilitação sistemática" de áreas como Alfama-Castelo-Mouraria, Pena-Anjos, Galinheiras, Bairro da Liberdade e Baixa.

Uma novidade que Santana Lopes considerou ser "o ponto politicamente relevante" da estratégia ontem apresentada, uma vez que as outras duas SRU que tinham sido criadas por sua iniciativa foram extintas já durante a presidência de António Costa. "É uma grande reviravolta. Tenho pena que não tenham chegado há mais tempo a esta conclusão", disse o social-democrata. Manuel Salgado reagiu dizendo que "a experiência tem demonstrado que as SRU podem ser um excelente veículo para fazer intervenções em determinadas áreas". A título de exemplo, apontou o trabalho da SRU Ocidental, que, sublinhou, "não interveio em nenhum edifício", tendo cingido a sua acção ao espaço público.

Já para as novas unidades territoriais que a nova orgânica da câmara prevê, Manuel Salgado quer transferir as competências de licenciamento de obras de reabilitação, processo para o qual promete criar uma "via verde". Na prática, isto significa que quem apresentar um projecto que mantenha a fachada do edifício, o número de pisos e a geometria da cobertura só terá de aguardar 20 dias pela apreciação desse processo, período ao fim do qual poderá começar a intervenção se não houver uma resposta.

"Um dos maiores contributos que a câmara pode dar para a reabilitação é licenciar depressa", justificou Manuel Salgado. "E bem", acrescentou a vereadora Mafalda Magalhães de Barros, do PSD, que criticou o facto de, em seu entender, a estratégia ontem apresentada não garantir "a salvaguarda dos valores patrimoniais".

Os objectivos da estratégia de reabilitação da autarquia incluem ainda obras no património municipal, tornar efectiva a conservação periódica, reduzir o risco sísmico e de incêndios nos imóveis em que haja intervenção e apoiar os condomínios privados na conservação dos edifícios. No investimento municipal estão garantidos 190 milhões de euros, para reabilitação de bairros municipais (35 milhões), do património disperso (37 milhões), de equipamentos municipais (73 milhões) e do espaço público (45 milhões)
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Em Belém,  algo tem que ser feito para salvar o nosso patrimônio das várias tentativas (algumas exitosas) de 'remanejamento' ou 'revitalização' de imóveis, nem todos merecedores de usar o dinheiro público, ou sem cobertura das leis vigentes.

Caso o governo estivesse interessado em salvar realmente nosso patrimônio, podia fazer algo parecido, para festejar os 400 anos de Belém num modo insólito para a nossa realidade...

terça-feira, 8 de outubro de 2013

UMA COISA BOA PARA SER FEITA LOGO


Durante a campanha eleitoral do ano passado,  a Civviva,  apoiada pelo Ministério Público Federal, pelo IPHAN, pelo Conselho Regional de Contabilidade e pelo  Instituto do Arraial do Pavulagem, realizou, com êxito, uma Conversa com os pré-candidatos a Prefeito de Belém.

O argumento desse exercício de cidadania era o nosso Patrimônio Histórico e as perguntas a serem respondidas pelos candidatos a Prefeito, eram:
 - Como proteger, defender e preservar o Patrimônio Cultural de Belém?
 - Qual a sua proposta de políticas públicas para o centro histórico de Belém?

Pouco depois,  o Ministério Público Estadual foi mais além e propôs um TERMO DE COMPROMISSO AMBIENTAL, o qual foi  assinado pela quase  totalidade dos candidatos a Prefeito de Belém.  Em tal  documento  seis pontos foram a base do compromisso,  levando em consideração a necessidade de  “assegurar  recursos no Orçamento Municipal para as politicas públicas de proteção e defesa do meio ambiente, de saneamento, de resíduos sólidos, de habitação, transporte e mobilidade urbana  e para  politica e sistema de Unidades de Conservação e áreas públicas protegidas e de valorização do patrimônio histórico, tendo como base diagnóstico ambiental do município, realizado com a participação da sociedade.”

Dos seis pontos, o primeiro deles é mais atual do que nunca e nos toca de perto pois fala de ‘valorização e conservação do patrimônio histórico’.  De fato diz:
1-    -  Promover a regulamentação e implementação do Plano Diretor do Município, garantindo a institucionalização e funcionamento dos instrumentos de gestão, controle, informação e participação da sociedade, com destinação de recursos do orçamento municipal para essa gestão  para fundos setoriais... destacando-se a elaboração do plano de valorização e conservação do patrimônio histórico.

Urge a elaboração deste plano e a regulamentação do PDM.  Enquanto esperamos que seja feito, porém, autorizações são dadas, muitas delas prejudicando a defesa e a valorização da nossa memória histórica.  Vemos, de fato, o  aumento da poluição sonora; a  depredação das calçadas de liós; o desrespeito das leis do transito com aumento da trepidação de igrejas e casas e um pioramento, generalizado, no modo de viver nesse bairro. Tudo isso feito e permitido, ignorando boa parte das leis em vigor e, esquecendo a necessidade de estacionamento e garagens para os clientes das atividades autorizadas.

Se prestarmos atenção, a Cidade Velha é o coração politico, econômico, religioso e turístico de Belém.  Aqui estão a Prefeitura e a Assembleia Legislativa; os Ministérios Públicos e o Tribunal;  as principais igrejas  históricas, além da Catedral. Temos num raio de 100 metros  a maior concentração de museus  de Belém. ...e estacionamentos para toda essa demanda, quantos foram feitos?

Há anos falamos da necessidade de resolver o problema de garagens para quem vive em área tombada.  Os poucos estacionamentos existentes na Cidade Velha não são suficientes para seus moradores, como continuar a autorizar locais noturnos e outras atividades ignorando essa necessidade?  Autorizar um shopping sem estacionamento, além do mais, resulta um  gravíssimo erro, além de ir contra  tudo aquilo que as  leis pretendem salvaguardar.

Quanta poluição do ar será gerada enquanto os automobilistas girarão as ruelas da Cidade Velha procurando um pedaço  que seja de calçada de liós (tombada) para estacionar, em concorrência com os moradores?

Quanta poluição sonora provocarão esses mesmos ‘doutos’ automobilistas, quando, buzinarem, irritados  por estarem  parados atrás de vans e kombis quando pegam clientes? O mesmo acontece já com os pais  quando vão buscar os filhos na porta dos colégios na Praça do Carmo e na Dr.  Malcher.

Aumentar esses problemas não ajuda certo a defesa do nosso patrimônio histórico. Bem venha então a realização de quanto previsto nesse  TERMO DE COMPROMISSO AMBIENTAL.

 A Cidade Velha  convida todos os apreciadores do nosso patrimônio histórico a começarem a rezar desde a Transladação deste sábado para que isso aconteça antes do Cirio do ano que vem.