No dia 23 de Maio, no novo Ponto cultural do Banco do Brasil situado na Doca de Souza Franco com a Municipalidade falamos dos motivos que nos levaram a fundar a Associação de Moradores da Cidade Velha. A defesa da nossa memória histórica foi considerada uma parte importante da nossa presença no território. Seria portanto um ponto de referência para nossas lutas a salvaguarda, defesa e proteção das praças, prédios e calçadas do bairro, situados na área tombada do Centro Histórico.
O IPHAN ainda não havia tombado parte da Cidade Velha, assim sendo a
nossa presença in loco, representaria, um desafio para os associados, vista a
situação de abandono em que se encontrava aquela área da Cidade Velha. Logo
após a constituição do blog LABORATÓRIO DE DEMOCRACIA URBANA da CiVViva, começamos a preparar
a Oficina Escola de
Escritores, iniciativa, essa feita com a ajuda do Grupo de
Memória e Interdisciplinaridade, da Faculdade de Engenharia Civil da UFPA. A
oficina, ministrada pelo jornalista e escritor Oswaldo Coimbra, pós-doutor pela
USP em narrativas criadas com pesquisas históricas, no campo do Jornalismo,
tinha como objetivo um livro de resgate da memória da Cidade Velha. Que foi
entregue no outro aniversário do ano seguinte.
É de fato o livro da CIVVIVA o motivo desse evento pois foi no mes de maio de 2008 que começamos a concretizar esse sonho com propaganda até nos postes das paradas de ônibus. Em cinco dias já tinhamos 130 inscritos... ao nosso vestibular. A partir de julho, todo sábado de manhã, na hoje Casa da Linguagem, na avenida Nazaré, das oito da manhã até o meio dia começaram as aulas dos 37 alunos selecionados.
Enquanto falava sobre o livro, usando um power point mostrávamos fotografias da praça do Carmo alagada; do lixo deixado pelo carnaval; do estacionamento nas calçadas e no meio da praça do Carmo; da situação das calçadas de liós; dos leitores de energia da CELPa; dos casarões cheios de mato nos telhados ,enfim, o que encontramos na Cidade Velha quando decidimos fundar a CIVVIVA.
Ainda bem que criamos um blog logo após sua fundação, assim temos provas, até fotográficas, do que precisava mudar. Isso porém não entrou no livro que foi dividido em três parte: Cidade Velha na atualidade; velha na memória e Cidade Velha na História. A festa de venda dos livros foi um sucesso.
Paralelamente
nossas lutas usando o telefone
continuavam, pedindo ajuda a algum politico ou funcionário público disposto a
nos ajudar. Depois de poucos meses decidimos mudar de tática e começamos a
escrever, assim teríamos algo em que nos basear, quando esqueciam suas
promessas.
Os êxitos
que tivemos foram poucos, mas alguns bem vistosos. O canto dos Bechara Mattar que
pegou fogo e ia ser transformado num shopping center, sem estacionamento para seus
clientes e com um restaurante no último andar, que superava a altura das
mangueiras... e o gabarito previsto para a área... foi um deles. Outro sucesso
foi impedir que fechassem a ultima rua que dava para o rio: a Felix Rocque. Foram necessário, porém, treze embargos e a “voz
grossa” do Ministério Público.
A poluição sonora provocada no período carnavalesco
foi outra vitória, pois conseguimos já em 2019 tirar os trios elétricos
carnavalescos da area tombada da Cidade Velha. Na ocasião decidimos fazer a
MEDIÇÃO DOS NIVEIS DE PRESSÃO SONORA
DURANTE O PRÉ-CARNAVAL , no bairro da Cidade Velha, com a ajuda de um
grupo de voluntários e técnicos especializados, sob a orientação do Dr. Antonio
Lobo. Até hoje esse problema continua a aumentar apesar de já terem sido declarados
inconstitucionais, os artigos da lei municipal do ano 2000 que aumentou os
decbieis a 60/70.
Tivemos razão em fundar a CIVVIVA, que continua ainda muito necessária. Outros eventos, comemorações, denuncias, etc. continuams a fazer. Nesses vinte anos de luta não conseguimos nem metade do que seria necessario para demonstrar que tem quem cuida dessa área tombada. As leis existentes, se respeitadas, seriam de grande ajuda... mas a poucos interessa a defesa do nosso patrimônio histórico.

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