quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

PARÁ E SEU MEIO AMBIENTE

 

Depois de me formar em Economia em 1967, trabalhei na ECONORTE, escritório que fazia projetos para a recem criada SUDAM. Por ali vi passar muitos projetos industriais de pequeno porte a serem feitos aqui na Amazonia. Digo "pequeno porte" porque, depois da  chegada dos projetos das agro pecuarias, as áreas a serem desmatadas começaram a aumentar, enormemente.

Cheguei a trabalhar, em 1969, com o projeto da Jari, cuja plantação da "gmelina arborea" visava substituir florestas nativas por plantios homogêneos para celulose. (*) Na época não lembro de nenhuma  reclamação pela derrubada  da floresta, pois foi feita, tranquilamente. A  natureza chegou a se vingar, mas o fez tardiamente, pois   insetos começaram a atacar intensamente as árvores jovens aquelas, ja  crescidinhas.

Em 1974 ficou evidente a dificuldade de adaptação em larga escala dessa especie na Amazônia, pois  sofreu ataques severos de pragas e doenças, como a desfolha por larvas de lepidópteros. Mas a floresta ja tinha sido derrubada para a plantação dos 10.000 pés da gmelina arborea.

Paralelamente aumentava  o número de projetos de agropecuaria, e na SUDAM, chegaram ao absurdo de autorizar  a Agropecuária Suiá-Missú, que no seu apogeu, chegou a ter um milhão de hectares.  Posteriormente, sua área foi reduzida e dividida, com registros cobrindo cerca de 165.000 hectares a 168.000 e transformados em disputas e demarcações. "De acordo com a Funai, o povo xavante ocupava a área Marãiwatsédé desde a década de1960". 

Tal projeto foi posteriormente controlado pela Liquigás e outros grupos, incluindo a AGIP italiana. Outro projeto que deu o que falar  foi  o da fazenda  Urahim, da Swift-Armour,  em Paragominas (PA), projetada para 35 mil hectares de pastagens... Quando será que descobriram que o gas liberado pelas fezes dos animais era composto, principalmente por  metano,  formado pela fermentação orgânica?

O MEIO AMBIENTE DA AMAZONIA em geral, e o do Pará, em particular, não constituía preocupação para ninguem... Assim sendo, vimos a SUDAM aprovar, nas decadas de 70/80, 268 projetos de colonização empresarial, com 84,9% sendo agropecuários, totalizando grande parte dos recursos de incentivos fiscais. A atuação concentrava-se na abertura de pastagens e pecuária extensiva, atraindo grandes grupos empresariais do sul e sudeste para a Amazônia Legal, e em alguns casos inclusive grupos estrangeiros, como acima citado. Essas iniciativas faziam parte da estratégia federal de ocupação e desenvolvimento econômico da região amazônica durante o regime militar.

Talvez  os danos feito ao nosso meio ambiente nas decadas de 70 e 80 tivessem pouco interesse, de fato, porque  é no fim dos anos 70 que se apresentou pela primeira vez a ideia de desenvolvimento sustentável. 

Nos anos 80 se ouviu falar na criação de normas e diretrizes para a fiscalização do patrimônio socio ambiental brasileiro. De lá para cá, porém, não vimos  aplicação nem resultados concretos fruto de estudos, ou mesmo noticias alvissareiras que nos deixem orgulhosos a respeito da defesa do nosso meio ambiente

Ultimamente  ouvimos falar que a SUDAM incentiva projetos que utilizam tecnologias limpas e renováveis, afim da redução do impacto ambiental. Falam de fundos   repassados pela Sudam para o Banco da Amazônia, voltados para o financiamento do uso de tecnologias compatíveis com a preservação ambiental. Não tivemos conhecimento de resultados desses fundos, relativamente  a defesa do meio ambiente.

De fato vemos, porém, o  Banco da Amazonia financiar eventos rumorosos, realizados inclusive em área tombada, ignorando a luta contra a poluição sonora. Sérios são os danos causados a saude humana e animal, além dos desequilíbrios ecológicos que afetam a fauna e a flora. A poluição é  inclusive considerada crime ambiental, com penalidades previstas em lei. Será que, quem autoriza tais eventos, não acredita nem nas...evidências?

É triste ter que constatar o desconhecimento e/ou a falta de aplicação das normas em vigor... aliás, fato esse que acontece  em todos os setores. Não existem penalidades para o funcionário público que ignora as leis e autoriza o que não deve???


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*PAG.36/37/43/44/45 meu livro "Reminiscências e testemunhanças...

PS. 1- os dados citados, todos, se encontram na internet.

PS. 2- sugiro a leitura aos mais jovens, ao menos destes artigos de Lúcio Flavio:

- Grandes projetos na Amazônia ano 30


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