sexta-feira, 24 de junho de 2016

MANUMISSÕES E ABUSOS


O modo de governar se afasta, cada dia mais, não somente das leis, mas dos direitos dos cidadãos.

É destes dias a publicação no Diário Oficial do ato de criação do Polo de Gastronomia da Amazônia. Mesmo se essa historia se arrasta ha um ano, o aborrecimento maior provocado foi a decisão de modificar o uso de salas do prédio das 11 janelas, onde existe um museu. Dupla portanto foi a prepotência feita.

Lutar pelo não fechamento de um museu, é tão justo quanto defender nossa cultura alimentar. È a nossa cultura em jogo, além do fato de ter, também, algo mais e muito importante a defender,.... a nossa democracia, o modo de governar. 

Vamos ver desde onde começam os abusos. O que diz a Constituição? Para começar, verificamos  que não é verdade que, como diz o art. 5 “todos são iguais perante a lei”. A “ inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade...” não são garantidos  a todos, do mesmo modo.  Os jornais escritos, falados e vistos,o demonstram diariamente e muitos de nós sentimos isso na pele...

Desse artigo inicial vamos dar um salto e examinar a questão cultural. Para uma meia dúzia de cidadãos, o nosso patrimônio, seja ele arquitetônico, ambiental ou alimentar , está na ordem do dia. Não somente uma dessas questões, mas as três juntas, diariamente.

Começamos pelo arquitetônico, pois continuamos a ver desaparecer, não somente estatuas ou suas partes, mas prédios inteiros serem abatidos e a área transformada em estacionamento, muitas vezes. Poucas e fracas as reclamações e fica por isso mesmo, como se nada tivesse acontecido.

Vemos casas antigas abandonados esperando uma chuva mais forte para vir ao chão, sem que providências sejam tomadas. Vemos calçadas usadas e abusadas, não somente por funcionários publicos que as usam como estacionamento, mas bares/restaurantes/lojas, irregularmente apoiados... Não vemos, em vez, nem os  resultados do PAC das Cidades históricas, apesar do dinheiro colocado a disposição. 

O nosso meio ambiente é assaltado diariamente. A poluição é um fato concreto, mas continua acontecendo sem nenhum providência séria.  O transito em área tombada so faz aumentar, assim como a trepidação e a consequente poluição da área. Rios,  florestas e cidades, são agredidos de todos os modos e poucos  se manisfestam a respeito. Até fogos de artificio em plena cidade é algo a ser discutido, e ninguem o faz.

A nossa cultura alimentar está sendo objeto de atenção por gente de fora e  ninguém foi informado o por que de tantas facilitações a eles; ninguem tomou conhecimento em tempo do que estavam pretendendo fazer. Decisões, consideradas por muitos, arbitrárias, incentivam a vinda de “gente de fora” para inventar uma gastronomia amazônica, como se fosse necessário, e todos calam, enquanto os chefs "daqui" morrem a mingua, praticamente ignorados.

Concretamente, sobre a questão cultural, coisas bonitas encontramos escritas no art. 216 da nossa Constituição. De fato diz que “. O Sistema Nacional de Cultura, organizado em regime de colaboração, de forma descentralizada e participativa, institui um processo de gestão e promoção conjunta de políticas públicas de cultura, democráticas e permanentes, pactuadas entre os entes da Federação e a sociedade...”

Quem as observa? A violação de direitos é visivel e permanente. A “descentralização” é uma palavra ao vento, continuamente ignorada e desrespeitada. A participação prevista, não fica atrás. Quem fiscaliza toda essa falta de respeito?

As informações sobre  esse Polo Gastronômico não correram a viva voz: tudo foi feito na calada da noite...  e "os daqui", os 'autores e guardadores’ da nossa culinária, milenar, foram por acaso ouvidos, como seria justo?

O tacacá saiu da cuia para um copo de plástica, onde a goma não teve lugar e ninguém abriu a boca para defender essa nossa comida típica, ou seja,  vimos na TV apenas o oba-oba produzido por aqueles que esperam ganhar dinheiro com essas mudanças. 

Nenhum desses argumentos foram levantados e discutidos com a cidadania.  Como ninguem exigiu  uma consulta pública, ela não foi feita;  mesmo quem pretendeu  informações, não as recebeu e os abusos continuaram,  independentemente da existencia de uma série de normas sugerindo “transparência” em algum modo. A lei Valmir Bispo, é outra que continua desatendida.

 O que pouco existe, em vez, são sanções para quem não  as respeita.

Facil é portanto tomar decisões sem discutir publicamente com  ninguém, ou somente com poucos íntimos, e depois impo-la  ao 'resto' dos cidadãos através da publicação  no Diário Oficial de um ato de prepotência. A  transparência e compartilhamento das informações previstos ao ponto IX  desse artigo 216, foram, totalmente ignoradas. O ato deveria ter feito todas as passagens previstas em lei, portanto,  os encontros e debates públicos, também, para demonstrar o respeito do que vige.

 Dispor de prédios públicos ocupados dignamente, como se fossem propriedade privada, não é coerente. Achamos também um abuso apoiar a manumissão da nossa culinária, em vez de defende-la. Ambos os problemas caminham juntos. Ignorar um deles, neste momento, é copiar quem criticamos.

É da nossa cultura que estamos falando e a alimentar não tem menos valor do que o museu que querem fechar. A prepotência, portanto, é dupla no ato em questão. 

Nessa nossa democracia, saudosa ainda dos tempos passados e com pouca gente consciente do seus deveres e direitos, tudo se pode fazer. Precisamos estar cada vez mais atentos, para não chegar sempre tarde e permitir mais um caso de "ja teve"  em Belém....

A menos que,  e é bem capaz, de ja estar rolando por ai, e secretamente, a criação de algum  POLO na beira do rio, na nossa orla,  para receber, inclusive esses quadros, e nós estamos por fora.

domingo, 12 de junho de 2016

ESCLARECIMENTO



                                                          A BENÇÃO ....

É o caso de explicar, para quem não sabe ou não quer entender, para que nasceu a Associação dos Moradores da Cidade Velha.  Nós temos CNPJ e um Estatuto que diz:
Art. 3º Constituem-se objetivos da CiVVIVA:
I – incentivar a participação dos moradores, comerciantes ou prestadores de serviços estabelecidos no Bairro da CIDADE VELHA em Belém do Pará na vida da Associação, com vistas a garantir o exercício de direitos conferidos às pessoas físicas e/ou jurídicas, sociedades de fato;
II – atuar junto aos poderes organizados – Legislativo, Executivo e Judiciário – nos âmbito Federal, Estadual e Municipal – visando a edição e aperfeiçoamento de leis e procedimentos atinentes à cidadania e à qualidade de vida dos moradores e estabelecidos no Bairro, a sua revitalização, preservação, valorização do seu patrimônio cultural e preservação do meio ambiente;
III – promover campanhas de mobilização e esclarecimento da opinião pública acerca dos direitos e deveres das pessoas referidas no item I, deste artigo e dos objetivos da Associação;
IV – realizar cursos, conferências, seminários, mesas redondas, congressos e eventos, destinados à divulgação de temas do interesse da comunidade retro-referida bem como estabelecer intercâmbio de conhecimentos técnicos e científicos ou deles participar;
V – incentivar a realização de atividades sociais, culturais e desportivas no Bairro de maneira a criar oportunidades de lazer, intercâmbio e solidariedade entre os moradores e utentes dos serviços públicos afetos à da Cidade Velha;

Ultimamente, a nossa luta se focaliza, principalmente, na defesa do nosso patrimônio histórico através do respeito das leis que regem nossa sociedade e, consequentemente, o bem comum. Infelizmente, esse propósito vai contra o interesse de muitos, resultado, nasce uma antipatia imediata que se transforma em obstaculo concreto as nossas iniciativas.

Não tentamos ganhar dinheiro, tentamos salvar nossa memória histórica, coisa difícil, principalmente quando vemos avançar, com todas as coberturas possíveis, não so o abandono das nossas lembranças, mas a carnavalização do Centro Histórico, a ocupação abusiva do território e o aumento da poluição sonora. Os carros-som, por exemplo,  conseguem fazer disparar todos os alarmes dos veiculos estacionados na Dr. Malcher, por exemplo. Temos que calar?

Um exemplo gritante: quem é daqui sabe, inclusive através de seus avós, que as cores da cidade, as pinturas das casas,  eram todas claras. Vemos em vez, as ruas da Cidade Velha se encherem de casas coloridas como se estivéssemos no Pelourinho. Por ai começa o desrespeito das leis... um deles,  pois outros são até crime.

De fato são considerados crimes contra o ordenamento urbano e o patrimônio cultural, destruir, inutilizar, deteriorar, alterar o aspecto ou estrutura (sem autorização), pichar ou grafitar bem, edificação ou local especialmente protegido por lei (*), ou ainda, danificar, registros, documentos, museus, bibliotecas e qualquer outra estrutura, edificação ou local protegidos quer por seu valor paisagístico, histórico, cultural, religioso, arqueológico e etc.. E daí?

Com outra ótica,  podemos examinar  essa situação também do ponto de vista dos crimes ambientais, ou seja “as agressões ao meio ambiente e seus componentes (flora, fauna, recursos naturais, patrimônio cultural) que ultrapassam os limites estabelecidos por lei.” ...e nada vemos de bom acontecer.

As leis falam de salvaguarda, preservação, conservação, proteção  do nosso patrimônio, da nossa memoria, e o que vemos  na área tombada, pouco ou nada tem a ver com isso. Quais são portanto as nossas dificuldades? Principalmente o desconhecimento e não aplicação das leis pelos cidadãos e pelos órgãos públicos. De fato:
- o Iphan tombou a Cidade Velha e a Campina, mas  não tivemos ainda conhecimento da regulamentação desse ato, o que leva a tratar esses bairros como qualquer outro, perdendo assim o sentido tal tombamento;
- a Lei das Contravenções Penais - Decreto Lei 3688/41 também dita normas  inaplicadas, como seu art.42, inciso III,que fala de abusos de instrumentos sonoros ou sinais acústicos e o art. 79 que considera como atentatório à tranquilidade pública qualquer ato, individual ou de   grupo, que perturbe o sossego da população, que não vemos serem respeitadas;
- a LEI Nº 9.605, DE 12 DE FEVEREIRO DE 1998, chamada ‘dos crimes ambientais’, também  fala de defesa do nosso patrimônio histórico: Temos que perguntar: quem a conhece e aplica?
- O Código do Transito, de que modo é respeitado? Poucas indicações encontramos nas ruas da Cidade Velha, respeito a essa lei. As carretas com mais de 20 pneus continuam a passear pelas ruinhas dessa área tombada....e a trepidação provocada prejudica os prédios publicos e privados; sem  esquecer  os estacionamento nas calçadas de liós, que acontece ha anos por conta de funcionarios publicos de todos os niveis;
- O PLANO DIRETOR MUNICIPAL, que é o principal instrumento de planejamento urbano de um município, não tem todos os seus artigos regulamentados, o que prejudica o Centro Histórico e a área tombada em vários aspectos;
- O Código de Postura prevê uma distancia de 200m de de igreja, hospital, cemitério, escola, etc. para autorizar eventos rumorosos: porque isso não é aplicado na Cidade Velha? Mesmo se escola ou Igreja estão fechados a trepidação provoca danos do mesmo jeito. Que fazer?
     - O inciso VII do art. 63 do CP  impede a localização em zona de silencio e/ou setor residencial, de casa de divertimento que produzam sons excessivos ou ruídos incômodos. Como é que autorizam e permitem isso, em vez?  Quem se preocupa a vir controlar os danos a saúde humana, além dos danos ao patrimônio público e particular, inclusive.
    - Quanto ao uso das calçadas por bares e restaurantes,  a Promotoria de Justiça do Meio ambiente mandou ao Secretario da Secon a RECOMENDAÇÃO Nº 001/16 – MP - PJ MA/PC/HU – BE, e nada vimos acontecer.

Estas são algumas das leis e normas que gostaríamos de ver aplicadas pelos órgãos públicos de Belém e respeitadas pelos cidadãos. Insistimos nesse sentido, e tem quem se ofenda, como se estivessemos fazendo quem sabe qual dano a sociedade.   A total desaplicação das mesmas nos faz duvidar que ainda estejam em vigor.

Notamos, também,  que em algumas leis está prevista a necessidade da “autorização da autoridade competente” (*). Isto porém deve ser feito no respeito das leis, no minimo, das acima citadas. De fato a função dos órgãos públicos é respeitar e fazer respeitar as leis e não, passar por cima delas. Dizer isto, ofende.

Nessas alturas, esclarecido a nossa razão de existir,  é o caso de perguntar aqueles que criam obstáculos as lutas da Civviva, ou a hostilizam : fazemos mal em lutar pelo respeito das leis? Não estamos em democracia? Por que temos de fechar os olhos a tanto desrespeito? Nós moramos aqui, numa área tombada, invadida, algumas vezes, com interesses diferentes dos daqueles que aqui moram (e são ignorados), e do que preveem as leis. Vemos o que acontece e a relativa falta de providências.

PORQUE DEVEMOS NOS CALAR?

Como cidadãos, é o caso de pensar nisso e ajudar, ao menos, respeitando as leis.

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-OBS: o titulo faz referimento a um deboche para com a Civviva, feito por parte de um sujeito que desrespeita todas as leis citadas.

terça-feira, 24 de maio de 2016

Os 300 anos de Belém


Uma historia que se repete.

Cem anos atrás, mais precisamente em 1915, Belém se preparava para festejar seus 300 anos. A celebração teria inicio em fins de dezembro e terminaria no começo de 1916. Um Comitê Patriótico foi criado para organizar o evento e, este, nomeou uma Comissão Literária. Um edital tinha sido feito em 15 de abril de 1915, em Belém, abrindo concorrência para a elaboração de um livro sobre a Fundação da cidade.

O presidente do Comitê, Dr. Ignacio Batista de Moura, após informar-se com amigos,  escolheu o historiador maranhense Prof. José Ribeiro do Amaral, autor inclusive do livro “Fundação do Maranhão” em 1911,  para tal feito.  No dia 2 de julho de 1915, escreve remetendo-lhe o edital e pedindo-lhe para elaborar “uma detalhada memória histórica sobre  a jornada de Francisco Caldeira de Castelo Branco do porto do Maranhão para a fundação de Belém (1615-1616)”. Será que ninguem respondeu ao edital?

O trabalho foi feito com toda a cura e atenção. Todas as clausulas do referido edital  foram religiosamente observadas e em data 8 de dezembro de 1915 o autor enviou à Comissão Literária Julgadora sua obra.

Já se vislumbrava o fim do ciclo da borracha; a entrada em rápido declínio da economia amazônica se via em todos os setores. A Primeira guerra mundial,  já em ato na Europa, não melhorava a situação econômica da Amazonia...

Os anos passaram e o manuscrito de José Ribeiro do Amaral, continuou inédito. A copia existente na Biblioteca Municipal de S. Luis ficou guardada até 1951, quando foi entregue a família. Depois da morte do autor a viúva presenteou a José Sarney. 

Somente em 2004 foi editado pelo Senado Federal, volume 31 "Fundação de Belém do Pará – Jornada de Francisco Caldeira de Castelo Branco em 1616". Será que vai acontecer o mesmo com os de agora???

Que fim levou a copia do manuscrito enviada a Belém e por que não foi publicado, não cheguei a descobrir. Quem sabe a  crise resultante da guerra e da perda do monopólio da borracha foram os motivos da não publicação? 

Nestes 400 anos não foi diferente.  Uma crise,  também, dizem ser a causa do pouco ou nada do que foi programado ter sido feito. 

As dificuldades parecem se repetir por ocasião dos centenários de Belém, so que desta vez, não vimos editais para livros. 

Mas quanto azar trazem esses centenários !!

quarta-feira, 4 de maio de 2016

Audiência Publica da OAB


A Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Pará, através de sua Comissão de Arte e Cultura realizará dia 05 de maio uma AUDIÊNCIA PÚBLICA sobre Política de Valorização e Restauração do Patrimônio Público de Belém.  Discutir a situação do nosso patrimônio histórico-cultural é uma ideia louvável e, em particular, ao menos todos os frequentadores do Centro Historico deveriam participar.

Enquanto escrevo, ouço barulho que me parecia de fogos de artificio. Um atras do outros, uns seis tiros e mais dois, depois de um breve intervalo. No chão uma pessoa morta, jovem, de nome Mister.
Começaram a gritar e de todos os cantos da Praça correu gente. A PM chegou; os gritos pararam e as pessoas voltaram a trabalhar....dizendo que ele ja estava marcado para morrer. A ambulância chegou mas foi-se embora sem o corpo.
Agora são 13,30 horas. Esta área tombada precisa mesmo de uma boa Politica de Valorização.

Daqui a pouco, na OAB, vão discutir o problema da defesa do nosso patrimônio histórico. Durante dois dias se falará desse argumento e o fato acima citado deveria dar  mais "vigor" ao debate.No meio tempo, porém, e na calada da noite, decisões são tomadas sobre os bairros tombados, sem que as Associações dos moradores sejam interpeladas e nem os moradores não associados... Algumas dessas reuniões foram feitas até em salões da igreja da Sé, cujos resultados/decisões ninguem foi informado (e viva a lei da transparência), nem os jornais tomaram conhecimento..

Esses orgãos que ignoram as Associações legalmente constituidas, devem ter pavor dos seus inscritos, porque são aqueles  moradores que querem, mais do que ajudar amigos favorecendo a abertura de bares em todo canto e/ou substituindo lojas que servem os ribeirinhos das 39 ilhas que circundam Belém, querem, em vez, apenas, salvaguardar nossa memoria histórica. As vêzes, esses orgãos se preocupam mais com problemas de turismo que de defesa do patrimonio; de restauro dos bens que devem cuidar.
Esses benfeitores que querem modificar a área histórica de Belém, criando corredores de bares, se lembram dos moradores? Vão cuidar da segurança dos bairros e de seus transeuntes? Vão mandar tirar aquelas bruturas que a Celpa colocou nos muros de casas tombadas e nunca retirou? Vão consertar as calçadas de liós para os turistas (??????, não os velhos moradores) poderem caminhar sem ter que usar o leito da rua? Alias, vão defender as calçadas de lios, também tombadas, para não continuarem a servir de estacionamento para funcionarios e frequentadores dos Tribunais, Ministerio Público, Alepa, Prefeitura etc. além dos comerciantes. E os estacionamentos? Quem lembra dessa necessidade ao autorizar uma atividade nova no Centro Historico? E o transito veicular? Vão propor algo para modificar a poluição que provocam? E as nossas praças. vão parar de servir de dormitório?
A tranquilidade da população residente é algo ignorado totalmente. A poluição sonora, que não somente provoca trepidação, mas doenças também, é argumento desconhecido ao autorizar atividades no centro historico tombado. A lei impede a localização de atividades que produzam sons excessivos ou ruidos incômodos, em zona de silêncio. Vão providenciar fiscalização? Isso é uma coisa que não vemos acontecer.

Temos que perguntar se toda essa gente que se interessa pelo nosso patrimonio é daqui, porque a memoria deles não coincide com a nossa. Quem tem idade sabe que as nossas casas nunca tiveram cores fortes. Como é que agora vemos casas com cores fortissimas no Centro Historico? Será mérito somente da "Coral" ou tem o dedo de quem não é daqui, e portanto, defende uma "memória colorida"? 

Gozado, a preocupação com o turismo (e com os interesses de amigos) leva a esquecer as leis que falam de "salvaguarda, defesa, proteção, preservação..." etc., do nosso patrimonio historico; da necessidade de tranquilidade da população,  e também da contribuição que (as associações de) moradores podem dar, e fica tudo por isso mesmo, enquanto nossa memória histórica se esvai entre mesinhas de bar colocadas em local previsto para uso de pedestres.

Diante de tal realidade, os moradores da área tombada de Belém e seu entorno gostariam,antes de tudo, de serem  lembrados por quem faz essa politica de valorização, como gente, como cidadãos e não estátuas, sem direito a palavra.  As Associações de moradores existentes nessa área (a da Cidade Velha e a da Campina) deveriam ser parte integrante das comissões municipais e participar das reuniões onde se decide, verdadeiramente o destino desses bairros. São elas que conhecem a realidade do bairro, seus problemas, suas necessidades, por isso é necessária a presença de representantes das Associações e não somente a presença de simples moradores que representam a si mesmo, somente.

A falta de regulamentação, total, seja do Código de Postura, que do Plano Diretor, ja demonstram o total   desinteresse pela salvaguarda do nosso patrimônio. Problemas tem vários: segurança; poluição sonora e ambiental; uso das calçadas; excesso de veiculo de mais de 4 toneladas;falta de fiscalização; carnaval a moda paraense; defesa da nossa memoria historica e não a do Pelourinho; bocas de fumo; gente que dorme na rua e a usa como banheiro, também; cones defendendo espaço para estacionamento,.. enfim, argumentos não faltam.  Tomara, portanto, que se discuta nesses dois dias, uma verdadeira Politica de Valorização do Patrimônio, levando em consideração essa realidade.
Bom trabalho.


sábado, 30 de abril de 2016

A FESTA DO RECONHECIMENTO 2016


Socias da Civviva, Gloria, Dulce e Jacira, com os 'azulejos' simbolo da Associação Cidade Velha Cidade Viva.

A pianista  Leandra Vital e a contralto Gabriella Florenzano, entretendo maravilhosamente com musicas do Maestro Isoca e Waldemar Henrique, os presentes.


O Prof, Carlos Alberto Zacca contando a historia de vida de Carlos Rocque e a presidente da Civviva.


Os homenageados: Marcos André, Taina Marajoara e Celso Roberto coma -presidente da Civviva.

Os homenageados e os padrinhos Goretti Tavares, Fabio Sicilia e Dulce Rosa Rocque apos o recebimento da homenagem..


A familia Rocque: filhas, genros, neta e a viuva de Carlos Rocque; a cunhada com o marido e o amigo membro da Academia de Letras de Curuçá, Paulo Henrique que "senta" na cadeira que homenageia Carlos Rocque.


O coquetel oferecido por Fabio Sicilia e feito pela Iacitata, era constituido de alimentos regionais: feijaozinho de Santarem; farofa de aviú; piquiá com farinha amarela; pupnha com doce de cupuaçú apimentado; queijo do marajo e sucos de tapereba e goiaba. Tudo produzido sem agrotóxicos.

segunda-feira, 25 de abril de 2016

25 de Abril



Vamos voltar atrás a pouc mais de 70 anos, a 1945: a 2ª.  Guerra Mundial estava acabando.  Os brasileiros, os nossos Pracinhas, estavam no Apenino Tosco-Emiliano defendendo a Italia do fascismo; lutando contra os nazistas que ainda estavam dando trabalho às “forças aliadas”. Hoje, lá, estão festejando o dia da Liberação.

Homenagem aos ‘nossos pracinhas’ nós não fazemos, mas nessa área montanhosa entre Bolonha e Modena, todas as crianças sabem cantar, ao menos, “mamãe eu quero”. E quando desfilam pelas ruas festejando o Dia da Liberação da Italia do fascismo, dia 25 de abril,  essa é uma das canções que cantam para lembrar aqueles que as defenderam do fascismo.

A presença dos ‘nossos pracinhas’ nessa área de guerra foi fundamental. Foram exatamente 25.334 brasileiros mobilizados para o conflito, dos quais 15.069 combateram. As duas batalhas mais importantes, aquela de Monte Castelo, entre as montanhas bolonhesas, e aquela da entrada de Montese, na província de Modena, constituiram - não sòmente para os brasileiros- o ultimo e decisivo combate entre tropas aliadas e o exército nazista.

 Terminada a guerra, o balanço foi: 239 dias de batalha - de 6 de setembro de 1944 até dia 2 de maio de 1945-; 457 mortos e desaparecidos em combate, 16 dispersos, cêrca de 2.720 feridos e 38 prisioneiros de guerra. Em compensação, porém, fizeram 20.573 prisioneiros de guerra e prenderam 80 canhões de diferentes calibres, 1.500 viaturas e 4.000 cavalos.

A FEB travou combate com treze grandes unidades inimigas (tres fascistas -Divisão Italia, Divisão Monte Rosa e Divisão San Marco- e dez divisões alemãs). A FAB, em vez, naqueles poucos dias fez 1.738 vôos sôbre territórios inimigos (Passo Brenner e sul da Austria, principalmente), 445 missões e 2.456 decolagens para ofensivas.

Os pracinhas com a "cobra fumando" passaram por aldeias que nem se encontram nos mapas, como: Ca Berna, Madona dell'Acero, Montilocco, Mazzancana, Ca d'Orsino, Ronchi di Sopra, Bombiana, Guanella, Vidiciatico, Cravullo, Castellaccio, Montaurigola, Gaiano, etc e atravessaram cidadezinhas como Lizzano in Belvedere, Gaggio Montano, Marano, Sassuolo, Vignola, S. Ilario d'Enza, Montecchio, Neviano, etc. Os habitantes daqueles lugares, naquele tempo, agradeciam como podiam, e ofereciam... ovos, unico alimento que tinham a disposição.

Em ordem, as vitórias da FEB foram: Camaiore no dia 18/09/1944, Monte Prano dia 26/09, Monte Castelo dia 21/02/1945, Castelnuovo dia 05/03, Montese dia 14/04, Zocca dia 20/04, Collecchio dia 26/04, Fornovo dia 28/04 e, prosseguindo para Turim, ocuparam Alessandria. Dia 29 de abril foi dado o ultimo tiro pelos pracinhas da FEB. Seguem depois para Susa, ja libertada, onde estabelecem contacto com os franceses: dia 18 de Julho de 1945, o navio Gal. Meigs os trás de volta ao Rio de Janeiro.


Monumento aos Pracinhas em Monte Castelo

Em clima de festa, todos os anos em Montese, única cidade no mundo a ter vários espaços dedicados ao Brasil (uma praça, uma rua, dois monumentos e uma sala do Museu Histórico), chegam brasileiros para partecipar das comemorações relativas à liberação. Hoje, aquele povo, não oferece mais ovos e sim hospitalidade... mas esta è outra história.


sexta-feira, 15 de abril de 2016

A ex trav. da Vigia

Antes do tombamento da Cidade Velha se conseguia ver a ilha das Onças, a causa da altura da construção na beira do rio,que ficava na travessa Felix Rocque, ex da Vigia.
Esta era uma das tres ruas que davam para o rio, entre a Pça da Sé e a do Carmo.

  Um belo dia a casa de canto da Siqueira Mendes foi vendida e autorizaram uma obra no terreno que chegava até a beira do rio. Imediatamente a rua foi fechada com um cancelo  e ninguem sabia que estavam construindo algo de concreto na beira do rio... Quando descobrimos, reclamamos, mas a  construção continuou e se alargou, crescendo até cobrir a visão que se tinha da Ilha das Onças. 

                                               
 Vários embargos foram feitos, mas a construção continuava a crescer e não se chegava a uma conclusão sobre a largura do terreno e da rua.

Em abril de 2016, assim encontramos a rua e o pouco que se vê do rio e da ilha..
   As vezes ganhamos batalhas e guerras, mas so no papel...