segunda-feira, 29 de outubro de 2012

EM DEFESA DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO-CULTURAL DE BELÉM


Vivemos um tempo, não só em Belém, em que a ganância do capital imobiliário é tamanha, que não respeita a tradição, a História e a cultura de um povo, como já dizia um grande humanista alemão do Séc. XIX“Tudo o que era sólido se desmancha no ar, tudo o que era sagrado é profanado”, um tempo em que vale tudo para satisfazer a gula do capital, nem que para isso se mande às favas os escrúpulos de consciência e o compromisso com as futuras gerações que aqui viverão e não encontrarão mais preservadas as suas referências históricas e culturais, não só isso, encontrarão uma cidade desumanizada. 
A Câmara de Vereadores de Belém protagonizou um dos capítulos mais tristes de sua História, quando aprovou, quase à unanimidade, o projeto de Lei de autoria do Vereador Raimundo Castro-PTB que altera parâmetros urbanísticos no entorno do Centro Histórico de Belém, contidos na Lei 7.709/94 (Dispõe sobre a preservação e proteção do Patrimônio Histórico, Artístico, Ambiental e Cultural do Município de Belém). O Projeto é casuístico, no sentido de favorecer imóveis que tenham como uso, o comércio varejista, por exemplo, Shopping Centers e Supermercados. Tal alteração legislativa foi feita em desacordo, formal e substancial com as demais normas urbanísticas que regem a matéria (Constituição Federal e Estadual, Estatuto da Cidade, Lei Orgânica), isto porque, entendemos que o referido projeto de Lei possui vícios que comprometem a sua legalidade e constitucionalidade. Mas desgraça nunca anda sozinha, na próxima terça-feira (30.10.12) deverá entrar na pauta da CMB outro malfadado projeto de Lei, de autoria do Vereador Gervásio Morgado-PR,  que tem por objetivo também alterar os parâmetros urbanístico do Plano Diretor de Belém (lei 8.665/08) ao longo da Avenida Almirante Barroso até o Entroncamento, permitindo a ampliação do potencial construtivo para o comercio varejista, atacadista e depósito (Hipermercado e similares).
A legislação urbanística não pode ser alterada de qualquer forma, pois nos termos do Art. 182, §2º da Constituição Federal, a propriedade urbana cumpre a sua função social quando atende as exigências fundamentais de ordenação da cidade expressas no Plano Diretor. O Plano Diretor alcança o status de verdadeira “Constituição Urbanística”, isto porque para aprovação, revisão ou alteração do Plano Diretor de Belém, a Lei Federal 10.257/01 (Estatuto da Cidade) exige que o legislativo e o executivo garantam ampla participação popular que fundamente e legitimem decisões tão importantes para a cidade, sem participação popular não pode haver qualquer alteração no Plano Diretor.
O Plano Diretor é muito importante para a cidade, pois será ele que determinará a forma pela qual a propriedade urbana cumprirá a sua função social; podemos afirmar que ao lado do Plano Diretor temos ainda as Leis que nos dão as normas gerais e diretrizes gerais a serem observadas compulsoriamente pelo Município, como Constituição Federal e Estadual, Lei Orgânica e Estatuto da Cidade, que se não observadas pelo Legislativo ou Executivo devem ser invalidadas pelo Judiciário. 
Os projetos em questão ao permitirem o aumento do potencial construtivo para o Comércio Varejista (Supermercados, Shopping Centers e similares) seja no centro histórico, seja na Almirante Barroso, não foram precedidos de estudos técnicos (princípio da Precaução/Prevenção) e participação popular (Gestão democrática da cidade) não assegurando aos cidadãos de Belém e sobretudo aos diretamente afetados pelas alterações, o direito à informação sobre os impactos na geração de mais tráfego, na demanda por infraestrutura, por equipamentos urbanos, acessibilidade, valorização imobiliária e diversos outros itens. É dever do poder público (Gestão democrática da cidade) informar os aspectos positivos e negativos que tais alterações trarão e isto não foi feito pela CMB, isto porque, entendo, que sem estudos técnicos e participação popular que legitime os Projetos de Lei que alteram índices urbanísticos que permitem o aumento de potencial construtivo de imóveis cujo uso é o comércio varejista, atacadista e similar, os torna nulos desde a sua origem. A Lei Federal 10.257/01 (Estatuto da Cidade) que regulamenta o capítulo os Arts. 182 e 183 da Constituição Federal que tratam da Politica Urbana define que o Legislativo e o Executivo incorrerão em improbidade administrativa caso não garantam a participação dos interessados no processo decisório.
Os cidadãos de Bem de Belém estão aí se mobilizando para que a nossa cidade não se transforme em um formigueiro febril, sem identidade, sem História, afinal, ainda acreditamos, que amanhã apesar de vocês, será outro dia.
PROF. MAURICIO LEAL DIAS

 Professor da Faculdade de Direito da Universidade Federal do Pará, Doutorando em Direito - PPGD/UFPA, Membro do Instituto Brasileiro de Direito Urbanístico (Coordenador da Região Norte).

RECIRIO E CRIME AMBIENTAL


CRIME AMBIENTAL - Houve intensa mortandade de aves no entorno da Praça Santuário de Nazaré, Belém (PA), na noite de 28.10.2012, durante o espetáculo pirotécnico de encerramento das Festividades do Círio de Nossa Senhora de Nazaré. O fato caracteriza alguns dos crimes aludidos na legislação ambiental: Decreto-Lei nº 24.645, de 10.06.1934; artigo nº 255 da Constituição da República Federativa do Brasil; Lei nº 9.605, 12.02.1998; Lei nº 6.938, de 31.08.1981. As fotos mostram alguns dos animais mortos. A tradição tem que ser adaptada à legislação.    

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

O NOSSO FESTIVAL DE OPERA VEM AÍ



 XI FESTIVAL DE ÓPERA DO THEATRO DA PAZ

17 de outubro a 1º de dezembro de 2012

CAVALLERIA RUSTICANA, de Pietro Mascagni
Theatro da Paz  - 17, 19 e 20 de outubro às 20h

MASTER CLASS - LAURA DE SOUZA
Igreja de Santo Alexandre-  23 de outubro às 19h

RECITAL LUSO-BRASILEIRO
Antônio Salgado, baixo-barítono
Igreja de Santo Alexandre- 25 de outubro às 20h

QUANDO O JAZZ ENCONTRA A ÓPERA
Amazônia Jazz Band
Theatro da Paz - 31/outubro  às 20h

JOÃO E MARIA (Hänsel und Gretel), de Engelbert Humperdinck
Theatro da Paz - 1º de novembro às 20h
3 e 4 de novembro  às 17h

CENTENÁRIO GENTIL PUGET
Carmen Monarcha, soprano
Igreja de Santo Alexandre- 25 de novembro às 20h

SALOME, de Richard Strauss
Theatro da Paz - 24, 26 e 28 de novembro  às 20h

CONCERTO DE ENCERRAMENTO – ao ar livre
Na frente do Theatro da Paz - 1º de dezembro às 20h

INFORMAÇÕES:
A Bilheteria do Theatro da Paz abrirá para venda de ingressos no dia 08/10/2012.
Horários de funcionamento:

- De 2ª feira a 6ª feira ---- de 9h as 18h
- Sábados e domingos ---- de 9h as 12h

Valores dos ingressos:

Óperas: R$ 60,00, R$ 50,00, R$ 30,00 e R$ 20,00

Quando o Jazz encontra a Ópera: R$ 20,00 e R$ 10,00 (Amazônia Jazz Band)

Os recitais na Igreja de Santo Alexandre serão com ENTRADA FRANCA.

Telefone de contato: (91) 4009-8750

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

DEFENDENDO O GABARITO DA CIDADE VELHA....



Em pé ou de joelhos, foi significativa a presença de cidadãos que participaram do ato contra a modificação do gabarito do Centro Histórico. Agradecemos a solidariedade.



Agora, convidamos a ocupar a Câmara Municipal de Belém, amanhã, terça-feira, a partir das 9 horas, pois a 'maldita' proposta volta ao plenário.

COMPAREÇAM NUMEROSOS

Fotos de Celso D'Abreu (obrigada)

domingo, 30 de setembro de 2012

AJOELHADOS NA CIDADE VELHA

Os cidadãos de Belém foram convocados para defender o "gabarito" da Cidade Velha.

Chegaram, pouco a pouco,,,


                                           Tomaram decisões...
         
         e, ajoelhados rezaram pedindo ajuda para a Cidade Velha.

Fotos de Celso d'Abreu

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

DEFENDENDO O "GABARITO" DA CIDADE VELHA



 A sociedade civil mobilizada protesta no próximo domingo, 30, em frente à Catedral da Sé, contra a votação do projeto que altera o gabarito do Centro Histórico de Belém e de bairros como Marco e Souza, próximo ao Entroncamento.


 A população ficará de joelho em frente à igreja como forma de protesto para chamar a atenção das autoridades sobre o aumento do gabarito de 19 metros para 40 metros na construção de edificações no entorno do Centro Histórico de Belém. 

Participam do manifesto: CIVVIVA, Fórum Belém, Observatório Social de Belém, Fórum de Cultura de Belém, ONG NOOLHAR, É Agora, Belém,  e Movimento Sempre Apinagés.

 O encontro dos participantes acontece a partir das 10h.

 NÃO E NÃO. Ninguém muda o Centro Histórico

domingo, 22 de julho de 2012

É UMA QUESTÃO DE CIVILIDADE, TAMBÉM.


O automóvel, símbolo, para alguns, do desenvolvimento econômico, se coloca hoje como uma das  maiores fontes de danos e de dificuldades para uma convivência salutar e, digamos inclusive, civil, nas nossas cidades.

O aumento dos veículos em circulação levou a aumentar problemas já existentes como a falta de garagens e estacionamentos em Belém. O uso e abuso do leito das ruas e das calçadas  para estacionamento  também gera problemas, dificultando mais ainda o transito pela cidade e isso não somente nos horários em que pais vão levar ou buscar seus filhos na escola.

Nas áreas tombadas de Belém  a situação é mais penosa ainda, pois  a defesa do nosso patrimônio histórico-cultural parece ser completamente ignorada, desde o momento da autorização de atividades, quaisquer que sejam, no Centro Histórico. Depois, nessa área, exatamente por ser tombada,  as dificuldades são maiores por causa da impossibilidade, na maior parte dos casos, da construção de garagens

Ainda o  aumento do transito leva, também,  a algo  mais grave, pois coloca em risco as condições de saúde dos cidadãos por causa do aumento da poluição atmosférica e acústica. Isso, sem falar no stress provocado por longos tempos perdidos para se deslocar, com um veiculo, de casa a qualquer outro lugar.

Estamos, praticamente, numa verdadeira  situação de emergência. A dimensão e a gravidade que o fenômeno da circulação assumiu por  causa do aumento dos veículos em circulação é agravado por trabalhos em curso em ruas e avenidas que levam para além dos confins de Belém, piorando mais ainda a situação do transito e das pessoas.

Essa série de elementos deveria servir para chamar a atenção de quem governa para evitar de comprometer mais ainda e de modo sério, e talvez até irreparável, o desenvolvimento  e o bem estar não somente físico dos cidadãos. De fato, a lentidão e estancamento  da circulação aumentam os tempos, seja  das comunicações como  do transporte,  o que influi direta e negativamente na produção e nos serviços, prejudicando o desenvolvimento de negócios, das relações comerciais e aumentando enormemente o tempo dos trabalhadores para chegar ao local do trabalho ou em casa. Quem paga isso? Em muitos casos, a nossa saúde.

Para iniciar a cuidar desses problemas, um passo a frente  já seria re-desenhar as áreas  urbanas mais intensamente habitadas através de uma programação racional e orgânica de estacionamentos, que levasse em consideração as exigências ambientais diurnas e noturnas. Estacionamentos  públicos e particulares.  Criar um sistema de transporte cômodo a partir desses estacionamentos, que facilitasse a chegada daqueles que estacionaram seu veiculo a  outras áreas.

O objetivo seria começar a realizar um programa de tutela dos valores constitucionais primários da saúde e daquele, sempre constitucional, da economia nacional, programa  esse  feito para enfrentar uma situação excepcional com meios extraordinários.

Indiretamente, poderíamos estar falando de educação, também. De participação de todos na resolução de um problema provocado pelo carro, através da renúncia de facilidades fictícias. 


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TEM GOVERNOS QUE NÃO MERECEM OS CIDADÃOS QUE TEM


Recebemos e publicamos  uma resposta a esta nossa nota. Uma amiga, arquiteta, propôs algo mais do que acima dito, bem 30 anos atras.... e não aconteceu nada.


Dulce! Este mes de julho eu fiz 30 anos de formatura, então eu penso que isto já estava pensado desde o meu tempo de faculdade. Fizemos um trabalho com ajuda dos professores, claro, de estudos junto à Codem, exatamente ao que vc se refere, sobre os carros, estacionamentos, trânsito e fluxo de pessoas na área central de Belém. 
Eu lembro bem do meu trabalho de desenvolvimento de um estacionamento gigantesco naquela área onde hoje ainda funciona uma estaçao da Celpa, ali por perto da Receita Federal , perto da praça Kenedy na época, onde de lá saíria pequenos micro ônibus de quinze em quinze minutos , levando e trazendo pessoas aos seus trabalhos naquela area do centro comercial de Belém.

 Eu achava sensacional a idéia , e segundo os professores na época, seria doado os trabalhos à prefeitura e que seria feito o estudo de probalidade. Imagine vc hà trinta anos atrás!

Será que nenhum orgão se preocupa atualmente com isto ? EU não acredito!!
Onde estão estes trabalhos? Será que a prefeitura não deu a mínima atenção?
E a faixa azul , pq não continuou?
Porque não conseguem tirar os flanelinhas das ruas? Ou pelo menos dignificar este trabalho deles?

Nós cidadãos desta cidade nos incomodamos muito com isto, mas quem pode fazer alguma coisa por nós? se eles que poderiam não o  fazem, coitados dos que se revoltam ,e até morrem por isso...

Gostaria muito de contribuir para este melhoramento, mas como?
Não sei sinceramente.
BJs
Marci